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EM DIA COM A FÉ

Hitler e o poder de um Ideal

As lições da História de um homem que moveu uma nação.

Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno em Otacílio Costa, Escritor e Jornalista
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Dia desses vi um vídeo interessantíssimo circulando na Internet, onde o entrevistador começava perguntando sobre Adolf Hitler. Sim, o Hitler mesmo, que a maioria dos estudantes de hoje consideram (quando o conhecem) apenas um ditador sanguinário do passado. O Vídeo mostra o enorme desconhecimento da juventude atual sobre Hitler e seus ideais, e revela um perigo profundo de não se conhecer a história.

No vídeo, enquanto o entrevistador vai informando sobre as atrocidades dos campos de concentração, as pessoas vão pouco a pouco se informando ou relembrando aquilo que haviam estudado nas aulas de história. O entrevistador (produtor do vídeo) então fazia uma comparação do holocausto judeu praticado por Hitler com o que ele chama de moderno holocausto americano, o aborto na opinião dele.

O Vídeo é excelente e merece ser visto se você tiver tempo (Link aqui), mas outra questão ficou na minha cabeça perturbando meus botões depois que eu vi o vídeo. Numa das cenas, o produtor fala sobre o que aconteceu logo após o fim da segunda guerra, com o suicídio de Hitler. O exército aliado obrigava todos os alemães que moravam próximos aos campos de concentração a fazerem um tour pelos campos, que eles acreditavam ser apenas prisões políticas.

Nesse pedaço, um contraste nítido aparece quando você vê os mesmos alemães entrando, e depois saindo dos campos. Ao entrar, eles exibem sorrisos irônicos e descontraídos de quem mesmo derrotado se acha superior, e então durante os passeios eles são expostos aos corpos e todo tipo de atrocidades que aconteciam bem ali no quintal deles. As fotos da área de saída dos campos revelam o horror, espanto e total desespero daqueles cidadãos, que até pouco tempo antes veneravam Adolf Hitler.

Talvez pior do que o sentimento de ultraje foi o sentimento de traição. Imagine a decepção que deve ter transpassado o coração de cada alemão que contemplava a cena. Pior que isso, sendo eles sabedores que eles próprios tinham ou sancionado ou praticado aqueles atos absurdos. Se fossem perguntados individualmente, talvez nenhum deles jamais cogitassem a ideia de assassinar uma pessoa, mas incendiados pela oratória eficaz de Hitler, e movidos pelo ideal da superioridade eles sancionaram as maiores atrocidades que a mente humana jamais foi capaz de conceber.

Como Hitler pôde convencer toda uma juventude e uma nação a seguir sua insanidade? Simples, ele transformou sua loucura num ideal. Alguém define a arte da liderança como a arte da influência. Hitler (que era Austríaco, não Alemão) percebeu bem o sentimento de revanchismo que uma Alemanha derrotada na Primeira Guerra mundial nutria e formulou seu discurso doutrinário recheado de sofismas com a melhor estrutura possível: Pseudo-verdades absolutistas misturadas àquilo que as massas adorariam ouvir: Somos superiores.

Quem não gosta de se sentir superior? Hitler catalisa o sentimento de superioridade alemão pregando a supremacia de uma raça pura (da qual os alemães descenderiam) prometendo o estabelecimento dessa raça em detrimento das outras, especialmente da que ele mais odiava: os judeus.

Pois bem, adicione um pouco de demagogia e estratégia política, misture com etnocentrismo e o prato está pronto para ser servido: Um povo seduzido pelo discurso absolutista de um louco reacionário, temperado com o que o povo quer ouvir, resultando numa das maiores tragédias do século XX e mergulhando a mundo numa guerra mundial de 4 anos. 

O Problema? Esquecemos das lições da história e reaplicamos a fórmula. Onde? Em qualquer lugar onde o ideal usurpa o lugar da pessoa humana. Temos a audácia de repetir o mesmo absurdo dentro da igreja ou da nossa família. Hitler baseou toda sua oratória e estrutura nazista numa crença que ele transformou num ideal para uma Juventude Alemã que crescia fragilizada e magoada com o mundo: A crença de que eles, os Alemães, eram uma raça pura. A raça ariana.

Hitler descobriu que fazer o povo se sentir superior o mantinha do seu lado. Nós também. Não chegamos ao absurdo de dizimar vidas humanas, mas dizimamos sonhos quando abrimos nossa artilharia de palavras contra aqueles que não concordam com nossos pontos-de-vista. Não temos campos de concentração, mas temos reuniões onde só os que concordam conosco são bem vindos e onde cartilhas são escritas em forma da doutrina, a fim de fazer com que a massa permaneça manipulável e submissa.

E assim o movimento triunfalista vai avançando, gerando uma espécie de Nazismo Gospel, onde não se matam pessoas, e sim os seus sonhos. Agimos como se a Bíblia nos pertencesse e distorcemos os ideais que mais dizemos amar em nome do poder temporal e do continuísmo, fazendo com que a VERDADE, sim, a VERDADE que tem como seu único IDEAL a pessoa humana e sua dignidade, fique jogada a segundo plano.

Enquanto Hitler convenceu um país inteiro que o assassinato era justificável se os assassinados fossem de uma raça inferior, estamos aqui, quase 60 anos depois, condenando inocentes e miseráveis ao inferno em nome de uma Teologia egocêntrica e etnocentrista que exclui ao invés de incluir, fazendo com que os cristãos da atualidade queiram ir pro céu mais do que queiram levar outros para o céu junto com eles.

Vemos todo o tipo de terrorismo psicológico e chantagem espiritual, com pseudo-gurus se engalfinhando em horários na TV tentando conseguir mais um patrocinador. Enquanto isso, do outro lado da cadeira, vemos crentes mornos e sem o menor fervor espiritual. Vemos a igreja se transformar numa massa inchada e sem sabor, uma vez que aquilo que a move, a saber, seu IDEAL, lhe foi tirado.

É preciso perceber e entender que sempre que uma VERDADE é flexionada em prol de qualquer vontade, abre-se a porta para que sofismas se proliferem e se transformem em jargões que dão até uma aparência de brilho, mas não passam de faíscas perto da queima poderosa que a VERDADE produz no coração humano. No filme “Pearl Harbor” há uma cena em que o capitão diz a um subalterno a seguinte frase: “Não há nada mais poderoso do que o coração de um voluntário”. Que tipo de cristãos somos se não nos voluntariamos pelo serviço daquele que morreu por nós?

Quer fazer o teste? Hitler não só convenceu, mas moveu toda uma nação em direção à suas atrocidades apenas com o poder de seu ideal. O que seu cristianismo faz no sentido de mover você? Seu cristianismo consegue ser forte o suficiente pra lhe fazer ser pontual ao culto ou à missa (afinal de contas você deveria ir ao culto/missa adorar àquele que você diz que ama sobre todas as coisas)? Seu cristianismo consegue manter seus olhos em Cristo? Seu cristianismo consegue transferir à sua consciência o senso de responsabilidade que ele lhe impõe? Ele consegue fazer com que você se sinta responsável por ajudar ao próximo mais pobre que mora do outro lado da sua rua? 

Se o seu evangelho não é capaz disso, então seu evangelho não é melhor do que o Nazismo de Adolf Hitler, afinal de contas Hitler moveu um país, e seu cristianismo não consegue sequer mover você. 

Oremos para que Deus nos ajude a não nos tornarmos cristãos nominais. O Mundo precisa de mais amor e de mais voluntários em nome do bem. Só assim ele será um lugar melhor.



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