ivc.png

CAB_alisson.png
EM DIA COM A FÉ

O Paradoxo mais que perfeito

08 Agosto 2016 09:24:52

Será que vale à pena pagar o mal com o bem?

Alisson Magalhães, Pastor na Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário
em dia com a fé.png

Há uma questão que assola a vida de todas as pessoas que se agarram ao bem e seguem suas regras para obter reconhecimento e status na sociedade. Em Once Upon a Time, uma série que adapta os contos de fadas para os dias atuais, nem a Branca de Neve escapa do paradoxo cruel que ronda a cabeça de cada ser humano que vive neste planeta.

O conflito que Branca de Neve experimenta num dos episódios da série revela a pergunta crucial que encontra cada um de nós, e a resposta a essa pergunta é o que impulsiona nossa jornada por esta vida: O Bem vale à pena? Quando você se encontra numa encruzilhada entre escolher o bem e retribuir com o mal, qual deve prevalecer? Relevar ou punir, eis a questão? A resposta parece óbvia... até que o envolvido no problema sejamos nós. O Paradoxo é muito menos inquietante quanto não estamos no centro da controvérsia.

É muito fácil emitir uma opinião quando envolve a vida do outro, e nesse caso a resposta demonstra o quão demagogos, hipócritas ou autênticos podemos ser, pois o ser humano tem a tendência egoísta de sempre querer justiça para o outro e misericórdia para si.

Na série, Branca de Neve chega a esse conflito quando, após ter várias oportunidades de ter matado a rainha má, deixou ela viva acreditando que ela poderia mudar, e ainda assim levou mais um golpe da vilã. A rainha, se aproveitando do senso de ‘justiça’ de Branca de Neve, tomou algo de valor importantíssimo e ainda matou uma de suas familiares mais queridas. Diante do túmulo, Branca entende que talvez seja ela quem tenha que mudar e finalmente pagar o mal com o mal, afinal de contas, ela merece seu final feliz.

É impossível não transportar o conflito para o mundo real e reconhecer o mesmo paradoxo que a fé pode proporcionar, e perceber que infelizmente a única guerra que perdemos é para nós mesmos, e exatamente por negarmos com nossas atitudes aquilo que tanto confessamos com nossa boca.

Falamos de amor, mas muitas vezes não amamos. No máximo produzimos afetos fingidos e superficiais. E não é difícil perceber isso. Amor requer movimento. Amor faz com que eu saia do meu lugar de conforto e vá sofrer com o outro. Faz com que eu vá até onde o outro está e o socorra. Amor significa, às vezes, colocar o dedo em riste e lhe apontar seus erros, dizer a verdade que você precisa ouvir ao invés de concordar pra sair bem na foto. O amor me obriga a fazer mais do que dar alguns tapinhas nas costas dizendo que vou orar por você.

Falamos de não julgar na igreja e julgamos o tempo todo na nossa casa. Na verdade não sabemos nem ao certo no que consiste julgamento e estufamos o peito para sermos os primeiros a condenar aqueles que, na nossa míope opinião, estão julgando. Juízo só acontece quando existe sentença. Denunciar comportamentos errados e confrontar o erro não é juízo. É ajuda. Macular a identidade do outro e aplicar rótulos sim. Falamos tanto sobre juízo e julgamos o tempo todo. Basta a introdução “Você é…” sair da nossa boca que o restante da frase se torna uma sentença de juízo. Não fazemos na igreja, mas fazemos em casa com nossas esposas, maridos, filhos…

Falamos de santidade, mas não queremos a purificação. Falamos em milagres, mas não queremos obedecer. Falamos em unidade, mas falamos mal do irmão na primeira oportunidade que temos. Falamos em fidelidade a Deus, mas não somos fiéis ao nosso líder, seja lá de que título ele se chame. Alguém disse certa vez que pra conseguir inimigos, você não precisa entrar numa guerra. Basta ser autêntico e dizer o que pensa. É irônico pensar que essa frase soa terrivelmente verdadeira no meio de um povo que, em tese, deveria amar e promover a verdade ao invés de propagar seus paradoxos.

O Problema é que a igreja é um corpo, e quando guardo sujeira no corpo, ele infecciona e adoece. E enquanto arrotamos nossa santidade ritual levantando nossas mãos e pulando ao som da canção, ou fazendo nossas orações mecânicas da hora do almoço, a Verdade se perde na teia do comodismo e da hipocrisia. Resultado: O Paradoxo existencial fica à mostra.

Quando nossos motivos e nosso orgulho se tornam maiores do que a cruz, tendemos sempre a enterrar sua mensagem para que a nossa imagem permaneça intocada. Não é irônico que um povo que tem na cruz um símbolo de fé se esqueça diariamente que sua principal mensagem é a morte? Não é um paradoxo perfeito que o povo que se diz conhecedor da Verdade viva na mentira?

Se eu morri com Cristo pela cruz, porque minhas canções exprimem mais minhas necessidades do que adoração a ele? Se eu morri com Cristo na cruz, porque luto pra manter minha imagem de santo intocada? Se eu morri com Cristo na cruz, porque sinto dor quando alguém fala mal de mim? A resposta é muito simples. Se eu sinto, é porque não morri.

Como um amigo meu já disse, muita gente tem medo da verdade, não porque a verdade dói; mas porque gostam de viver na mentira. Na mentira de que não precisam mudar pra ser salvos. Na mentira de que basta dizimar pra prosperar. Na mentira de que se calar frente ao pecado do outro dá a ela o mesmo direito de pecar. 

Aliás, isso me traz de volta ao dilema da Branca de Neve. Deus já respondeu a questão e resolveu o problema. A Cruz é onde a fé na mudança e no amor encontra a justiça para o pecador através de uma troca. Se vale à pena se apegar ao bem? Depende? Depende de onde você colocar sua visão. Se sua visão for limitada a este mundo a resposta talvez seja não, mas se sua visão estiver na eternidade, o dono dela diz que sim, afinal de contas, a morte para o cristão é o começo da verdadeira vida que ele almeja.



Lista da editoria


25 Setembro 2017 23:41:43
EM DIA COM A FÉ

Autor: Alisson Magalhães, Teólogo, pastor e jornalista

10 Setembro 2017 09:51:00
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, pastor, teólogo e jornalista

18 Agosto 2017 12:43:42
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, teólogo, pastor e jornalista

27 Julho 2017 21:57:54
EM DIA COM A FÈ
Autor: Alisson Magalhães, pastor e jornalista

29 Junho 2017 15:22:06
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, teólogo, pastor e Jornalista

23 Junho 2017 10:21:20
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, Teólogo, pastor e jornalista

09 Junho 2017 09:18:20
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno, publicitário e jornalista

29 Maio 2017 12:51:28
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno, publicitário e jornalista

25 Abril 2017 21:18:52
Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

07 Abril 2017 21:35:30
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, pastor na Igreja do Nazareno e jornalista no CO

02 Março 2017 09:48:00
EM DIA COM A FÉ

O que Deus acha de tentarmos fazer justiça com as próprias mãos?

Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno e jornalista

24 Fevereiro 2017 17:43:45
EM DIA COM A FÉ

“Sede santos, porque eu, o Senhor, sou santo.” (I Pedro 1:16; Levítico 11:44)

Autor: Alisson Magalhães

05 Janeiro 2017 11:37:06
EM DIA COM A FÉ

"Está consumado!" - João 19:30

Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno e jornalista no CO

09 Dezembro 2016 15:48:29
EM DIA COM A FÉ
Autor: Alisson Magalhães, pastor da Igreja do Nazareno e jornalista no CO

28 Outubro 2016 16:00:24
EM DIA COM A FÉ

Quando nossas atitudes chamam a atenção do Senhor.

Autor: Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

04 Outubro 2016 21:06:24
EM DIA COM A FÉ

O poder de um louvor em tempos de crise.

Autor: Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

20 Setembro 2016 11:25:06
EM DIA COM A FÉ

Descobrindo os segredos do Salmo 23.

Autor: Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

29 Agosto 2016 19:07:53
EM DIA COM A FÉ

O que um médico congolês, uma menina muçulmana e uma missionária palestina tem em comum?

Autor: Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

08 Agosto 2016 09:24:52
EM DIA COM A FÉ

Será que vale à pena pagar o mal com o bem?

Autor: Alisson Magalhães, Pastor na Igreja do Nazareno, jornalista e publicitário

29 Julho 2016 12:17:02
EM DIA COM A FÉ

As lições da História de um homem que moveu uma nação.

Autor: Alisson Magalhães, Pastor da Igreja do Nazareno em Otacílio Costa, Escritor e Jornalista





correiootaciliense




Logo_CO_rodape.png
IVC.jpeg

Endereço: Rua Aristeu Andrioli, 592 - B. Pinheiros - Otacílio Costa - SC
Email: correiootaciliense@gmail.com
Telefone: (49) 3275 0857

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Correio Otaciliense