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Número de produtores de leite reduziu 50% na última década em Otacílio Costa

Robson Ribeiro/ CO
Foto: Robson Ribeiro/CO

Na última década, o número de produtores de leite em Otacílio Costa diminuiu mais da metade. Esse índice, preocupante, põe em risco o fim da linha para a produção de leite no município. A queda no preço pago ao produtor, de acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri, Murilo Nunes, é umas das principais causas para a redução no quadro da atividade leiteira no município. 

Conforme ele, atualmente no máximo 20 famílias tem o leite como carro chefe ou incremento nas atividades de sua propriedade. "Pelos nossos registros, há alguns anos eram, em média, 50 famílias abastecendo a linha do leite", informa Nunes.

Além da queda no preço pago ao produtor, as exigências dos órgãos de inspeção para aumentar ainda mais a qualidade do produto aumentou nos últimos anos, e isso pode ter sido uma das causas para que vários agricultores deixassem de investir na referida atividade, de acordo com a agricultora Sonara Oliveira. "Hoje o laticínio cobra muito a qualidade do leite. Nós entendemos que a cobrança para eles também é muito mais, e por isso cobram bastante dos produtores também. A bactéria e a célula mastite têm que ser muito baixa para atingir a normativa que uma Lei Estadual pede", disse.

Um dos fatores para a baixa no número de produtores, segundo ela, são as exigências e adaptações. Outro fator, conforme Sonara, é que os produtores estão envelhecendo e os filhos não querem dar continuidade, até pela dificuldade de se manter na atividade. "Muitas vezes é mais fácil buscar fora do que ter que produzir para conseguir uma renda, necessitando contar com o clima, saúde do animal, entre outros vários fatores", anota ela, dizendo que as dificuldades são tantas que ela mesma já pensou em parar. "Mas se mais um de nós parar realmente acaba a linha. Isso tem ficado muito claro pelo leiteiro. Eles não vão fazer vários quilômetros para buscar uma quantidade considerada baixa de leite", lamenta.

"Amamos o que fazemos. Mas a realidade é que pagamos para trabalhar", diz produtora

Na contra-mão da baixa no número de agricultores que deixaram a atividade do leite, Sonara segue os passos dos pais. Desde criança ela acompanha seus pais, Aloisio Oliveira, in memorian, e Maria Maurelina Oliveira, 69 anos, na atividade do leite. Depois de três anos que casou, Sonara voltou com a família para a casa da mãe e assumiu a atividade do leite, juntamente ela. O filho Vinicius, 13 anos, também ajuda nas tarefas, e o marido, André, que trabalha em uma empresa na sede do município, ajuda nos finais de semana e nas folgas. O negócio é típico da agricultura familiar. "Eu fico muito feliz que ela segue os nossos ensinamentos, pois desde pequeninha estava ao nosso lado aprendendo. Eu ainda ajudo no que peço", conta sorridente, dona Maria.

 Atualmente a propriedade da família possui 13 vacas de raça holandesa, que juntas produzem em média 200 litros de leite. O produto é entregue a uma empresa do Alto Vale.

A produção praticamente duplicou na última década. E, o mais interessante, com o mesmo número de animais. "É um número bem satisfatório, não temos quatro alqueires de terra. Mas sabemos que ainda dá para melhorar. Para isso precisamos buscar conhecimentos e parcerias", falou a filha Sonara, dizendo que o investimento em melhoramento genético e na qualidade de pastagens contribuiu para o acréscimo significativo na produção.

"É uma atividade que requer muitos cuidados. São várias situações que é preciso estar atento para que a produção não venha a cair. É por isso que ninguém quer mais entrar na atividade. Pra investir como nós em novas tecnologias sejam em silagem, pastagens, instalações ou mesmo animais", observa ela.

Sonara anota que o preço ao produtor, atualmente R$1,08 por litro, não acompanha o custo da produção. "A tendência é baixar para os próximos meses infelizmente. O laticínio já está informando, que talvez não seja nada alarmante, mas vai baixar. A justificativa é que a produção é muito grande, tem muito leite no mercado. Nós amamos o que fazemos, mas praticamente pagamos para trabalhar", lamenta.

Ela observa, ainda, que a produção está crescendo somente entre os grandes produtores, com isso a agricultura familiar vem perdendo espaço na produção de leite. "Atualmente existe até confinamento para gado de leite, isso triplica a produção. A agricultura familiar também precisa estar acompanhando as tecnologias para produzir mais também", avalia.

Políticas públicas servem de incentivo

As políticas públicas e programas dos Governo, em todas as esferas, motivam produtores, a exemplo de Sonara. A propriedade dela foi uma das primeiras contempladas com o 'Programa Porteira adentro', aprovado recentemente por Lei na Câmara do Município. "Ainda falta arrumar um espaço onde trabalhamos com as vacas, mas é fundamental esse programa, nos ajuda muito. Lodo e vaca de leite não combinam, pois podem surgir algumas complicações que venham causar até a perda do animal. Acredito que é uma esperança que o produtor vai ter, uma assistência daqui para frente, que por Lei agora pode ser atendido dentro de sua propriedade", celebra.

Além disso, Sonara anota que o acompanhamento técnico da Epagri, e também da secretaria de agricultura do município, que disponibiliza médico veterinário e inseminador, além de implementos e trator, são essenciais para o aumento da produção. "Para produzir precisamos estar atentos a novas tecnologias. Graças a Deus nós temos esse incentivo. É o que nos motiva a não desistir e seguir firmes", conclui.


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