Alto Índice de mortalidade infantil assombra a Serra Catarinense

13 Novembro 2017 10:43:00

Apesar de declínio da taxa de mortalidade no país, situação na Região Serrana tem chamado atenção das autoridades.

Elaine Leal / CO

A mortalidade infantil gera preocupação no Brasil e no mundo. Na Serra Catarinense não é diferente. Embora os índices, no país, venham diminuindo, de acordo com dados de 2015 da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ainda enfrenta grandes desafios.

A Região Serrana do Estado de Santa Catarina, segundo a Enfermeira Daniela Rosa de Oliveira, Coordenadora Regional de Atenção Básica e da Rede Cegonha na Serra Catarinense, também enfrenta seus dilemas, uma vez que a mortalidade infantil possui índices alarmantes na Região.

De acordo com Daniela, as Taxas de Mortalidade Infantil no Estado apresentaram redução entre os anos de 2010 e 2011, mas a partir de então apresentam crescimento na Serra Catarinense.

Otacílio Costa está entre os dez municípios com maior taxa de mortalidade na Serra

 A mortalidade infantil também tem taxas preocupantes em Otacílio Costa. De acordo com dados da Coordenadoria da Vigilância Epidemiológica e   Imunização (Dive) do município, entre 2016 e 2017, 13 crianças morreram na cidade até o fechamento desta matéria. 

 "A taxa de mortalidade é o número de óbitos a cada 1000 nascidos vivos. Como Otacilio é um município com menos de 100.000 habitantes,   contamos os óbitos em número absoluto. Se a taxa fosse calculada daria em torno de 20, e esse número é muito alto", explicou Daniela.

 Um censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2014, colocou o município em 42º lugar no ranking da mortalidade entre as 295   cidades catarinenses, e em 7º lugar entre os 18 municípios da Amures.




Falhas no pré-natal geram graves doenças e prematuridade

Conforme Daniela, a falha na realização do acompanhamento pré-natal, pode deixar de identificar, e, por conseguinte, tratar, várias doenças na gestante, que acabam chegando ao feto, como Sífilis e HIV. Outra consequência á a prematuridade, que pode vir a acontecer por causa de uma infecção urinária ou pela falta do pré-natal odontológico, dentre outras possibilidades. 

Dados fornecidos pela Rede Cegonha da Serra Catarinense informam que, entre 2005 e 2014, na região, houveram 10 casos de transmissão vertical de HIV (quando o vírus é passado da mãe para o filho), dos quais três desenvolveram AIDS. O número de gestantes com Sífilis, no mesmo período, foi de 181. Em 2017, de janeiro a setembro, foram registrados 79 casos de sífilis congênita (transmissão da doença da mãe para o bebê) na Serra.

"Para 79 crianças nascerem com sífilis é porque há falhas no pré-natal. As mulheres não foram testadas o suficiente e/ou não foram tratadas de forma adequada", enfatizou a Coordenadora.

Dayane Bordin, enfermeira e uma das tutoras na Rede Cegonha da Serra Catarinense, explica que o tratamento da sífilis e simples e o parceiro da gestante também precisa ser tratado.

"A sífilis, hoje, é uma epidemia tanto em gestantes quanto em outros pacientes adultos e nos bebês. A gente ainda tem pouca notificação de casos. Os números notificados não batem com a quantidade de mulheres que são diagnosticadas com sífilis nas maternidades", informou Dayane.


Ainda de acordo com Daniela, um pré-natal de qualidade deve ser realizado por toda uma equipe médica, ou seja, médico, enfermeiro, dentistas e acompanhado pela visita domiciliar do Agente Comunitário de Saúde. O pré-natal é importante para se garantir a vida.

Segundo a enfermeira Édina Figueiredo da Silva, o número de gestantes, em Otacílio Costa, que estão sendo acompanhadas e fazendo o pré-natal pelo SUS é de 176 mulheres, que possuem idades a partir dos 12 anos.

Grávida de sete meses, a jovem Kíria Letícia Lima da Silva, moradora do bairro Fátima, chama atenção para a importância do acompanhamento para a saúde do bebê. "Este acompanhamento ajuda a descobrir possíveis malformações ou doenças no bebê, e além da saúde do bebê, monitora também a saúde da mãe. Nele, eu tiro todas as dúvidas que surgem", comentou, salientando o sentimento ao realizar os exames. "É lindo ver um ser tão pequeno se formando. Eu cheguei a chorar na primeira ultrassonografia", contou emocionada.

Além do pré-natal, Daniela chama a atenção para outras ações que podem auxiliar na prevenção de problemas na gravidez e até mesmo influenciar na saúde do bebê, como uma análise dos antecedentes obstétricos e genéticos do casal, suplementação com ácido fólico, uma vez que a carência do nutriente está diretamente relacionada a uma maior incidência de problemas neurológicos graves. "Para evitar o abortamento espontâneo e problemas para a criança os cuidados deveriam começar antes mesmo da decisão de engravidar", destacou Daniela.

Pré-natal odontológico: o estado de saúde bucal da gestante pode influenciar a saúde do bebê.

A saúde bucal é outro item que também precisa de atenção especial por parte das gestantes. A falta de cuidados com os dentes pode causar a prematuridade e outros males para o bebê. Outro dado fornecido pela Rede Cegonha mostra que, a cada dez crianças que estão na UTI neonatal, em média, sete ou oito são de mães que apresentavam algum tipo de problema bucal.

A dentista Georgia Parizzi, tutora da Rede Cegonha na Serra e formada na área há 14 anos, relata que o pré-natal odontológico é importante, uma vez que há diversos casos de crianças que nasceram com baixo peso, ou prematuras, em virtude de infecções orais nas mães.

"Quando acontece uma infecção na boca existe uma liberação de ocitocina no organismo, a mesma substância química que o organismo libera na hora do parto, e o útero pode "entender" que é hora do parto", explica a dentista, que explicou como deve ser feito o procedimento. "A gestante pode e deve fazer o tratamento dentário. No mínimo são necessárias três visitas ao pré-natal odontológico. Uma em cada trimestre", salientou.

Rede Cegonha da Serra Catarinense treinou profissionais da saúde em Otacílio Costa


A Rede Cegonha da Serra Catarinense realizou, no início do mês de novembro, um treinamento para os profissionais da saúde do município de Otacílio Costa. No evento, foram realizadas palestras, dinâmicas e estudos de casos. Médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos e agentes comunitários participaram da capacitação que tinha como finalidade orientar e chamar a atenção de toda equipe da saúde para a necessidade de um pré-natal de qualidade no sistema público de saúde. 

Daniela destacou a importância do pré-natal para a saúde do bebê e da mãe, e orientou a equipe de saúde a fazer o acompanhamento puerpério (período de 6 a 8 semanas pós-parto durante o qual o corpo sofre uma série de alterações para retornar ao estado pré-gravidez). O acompanhamento de ser feito, no mínimo, durante os sete primeiros dias do pós-parto.

"O período é de risco hemorragia, infecção perinatal ou algum risco para o bebê. Nele se observa como está a mulher, o bebê e a dinâmica da família. A equipe técnica e o agente comunitário devem fazer a visita no domicilio" explicou a coordenadora.

Palestras para melhorar o acompanhamento da gestação ao período pós-parto.

As palestras abordaram temas como a importância do pré-natal odontológico, o crescimento da sífilis congênita, a morte de mães no período do pós-parto, visitas domiciliares a mãe e ao bebê, por toda equipe de saúde, dentre outras.

Leandro Bortolli, dentista que trabalha na UBS do bairro Santa Catarina, falou da importância de ouvir as experiências das profissionais do Rede Cegonha, e que as palestras reforçaram a necessidade orientar as gestantes para o pré-natal odontológico. "Certa vez, atendi uma paciente veio com uma lesão de gengiva que sangrava muito. Nós fizemos o tratamento e problema foi solucionado sem danos para o bebê", comentou o dentista.

Para Mariana Machado Pinto, enfermeira na UBS Fátima II, a capacitação foi uma oportunidade de aprimoramento para o trabalho que é realizado pela equipe de saúde.

"Nossa intenção é diminuir o número de mortalidade infantil, e a capacitação veio para fortalecer o trabalho que já fazemos no município", destacou Mariana.

Roselita Sebold, cirurgiã dentista e integrante da Comissão Ensino-Serviço do Alto Vale do Itajaí e Graciela Bagatoli, enfermeira e membro da Coordenação da Atenção Básica de Rio do Sul, participaram da capacitação para conhecer o trabalho desenvolvido pela Rede Cegonha da Serra Catarinense e reproduzi-lo no município.

"O trabalho desenvolvido na Serra Catarinense é uma oportunidade para levar essa formação continuada para o Alto Vale. Nós viemos para conhecer o trabalho para reproduzir na nossa cidade", ressaltou Roselita.





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