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Apaixonada por livros, ela cuida da biblioteca municipal há 28 anos


Todos que já precisaram pegar um livro emprestado na biblioteca municipal conhecem a senhora Ivone de Fátima. Ela, que tem 61 anos, trabalha como auxiliar na casa dos livros desde 1991.  

O amor pela literatura nasceu pelo exemplo de sua mãe. "Todas as noites minha mãe lia para nós. Pegava um livro e contava a história. Ela foi meu maior exemplo", contou. Ivone nasceu em Ponte Alta, Curitibanos. Em 1968, aos 10 anos, se mudou com toda família para Otacílio Costa. Sua mãe estava muito doente e os familiares que moravam aqui a ajudaram a cuidar da saúde.

Quando chegou na escola, já sabia ler, escrever e fazer as quatro operações matemáticas, sua mãe havia ensinado em casa. Ela foi estudar na escola Agar Alves Nunes e, naquele mesmo ano, passaram aquela menina da primeira série para a terceira. "Tínhamos uma professora que, antes do recreio, sempre lia para nós. Meu amor pelos livros é desde a infância. Sempre amei livros de biografia", falou.

Seu primeiro contato com a biblioteca foi cobrindo as férias de uma de suas irmãs, que trabalhava no espaço. "Minha irmã engravidou e precisou se ausentar. Como eu já conhecia a rotina fui contratada", explicou. Ela fez um curso de auxiliar de biblioteca e ficou trabalhando cinco anos como contratada. Em 1996, fez um concurso, passou e trabalha até hoje na biblioteca. "Amo cuidar dos livros e desejo que o dia em que me aposentar, venha para cá alguém que também ame o espaço", ressaltou.

Histórias vividas na biblioteca


Na Biblioteca fez amigos e conhecidos para a vida toda. Uma das histórias mais peculiares que viveu foi a chegada de um andarilho na biblioteca. Ela lembrou que o homem ficou frequentando o local por uma semana. Era inverno e ele usava um cobertor velho. "Ele vinha e pegava o mesmo livro. Cada dia lia uma parte. Ficava quietinho no canto dele e nunca nos deu trabalho. Sempre pediu licença para entrar", relembrou.

Outra história bem marcante para ela foi quando duas meninas passaram a frequentar o espaço. As leitoras mirins eram de Maceió e vieram junto com a mãe para cá. Ela tinha casado com um otaciliense, mas só ficaram na cidade três meses. "Elas vinham todo dia depois da aula. Lembro do dia que vieram me dar tchau. Me deu uma dor no coração, pois a gente se apegou", falou.

'O Vento Levou'. Esse é o título de um livro que, segundo a auxiliar de biblioteca, ficou perdido por 17 anos. Havia sido emprestado para alguém que não devolveu e um dia jogou no lixo. Uma outra senhora viu muitos livros jogados na rua, pegou e levou para a biblioteca. Entre eles, estava o livro perdido. "Quando vi pensei: que legal, mais um bom livro para os leitores. Abri e vi na capa o carimbo da biblioteca. O evento levou e trouxe", comentou sorrindo.

Ela deixa um recado sobre a importância dos livros. "Os livros trazem formação, informação e conhecimento. Eu me sinto uma guardiã que zela por eles. Procuro manter a memória e a conservação desse meio de conhecimento tão importante que são os livros", finalizou.


Imagens

Foto: Elaine Leal
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