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Dentista é investigado pelo crime de estelionato e improbidade administrativa em Otacílio Costa

Acusado considera acusação um equivoco

Redação CO
Foto: Correio Otaciliense

A Promotoria da Comarca de Otacílio Costa, recebeu em fevereiro deste ano, a denúncia anônima de que o dentista Ricardo de Oliveira estava batendo o ponto eletrônico na Unidade Básica de Saúde Sebastião Soares de Córdova, conhecida por Fátima 2, no bairro Fátima, em que trabalhava e depois indo realizar atendimentos em seu consultório particular. 

Segundo o promotor Guilherme Simas, foram feitas filmagens e o acompanhamento do dentista por quatro dias distintos. O Gaeco filmou o suspeito chegando na UBS e logo em seguida, saindo para o seu consultório particular. Lá, ele permanecia durante toda manhã, sendo que o horário de trabalho na UBS é das 8h às 12h. "Ele deveria estar na Unidade de Saúde, mas estava em seu consultório particular", afirmou o promotor.  

A operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) desta quarta-feira, 03, teve como intuito apreender as agendas do consultório particular do dentista para verificar os horários de atendimentos e cruzar com os horários do ponto eletrônico da prefeitura. "Apreendemos também os documentos de ponto eletrônico que ele batia na prefeitura. Agora vamos cruzar as informações para ver por quanto tempo ele atendia clientes particulares no horário em que deveria estar na Unidade de Saúde", explicou. 

Ainda conforme o promotor, foram ouvidas testemunhas na UBS que confirmaram que o investigado ficava pouco tempo na unidade de saúde e logo saia. 

Agora, a investigação segue linha de estelionato contra o município e improbidade administrativa.

"Em vinte anos de profissão no município nunca extorqui ninguém", diz Ricardo

Em entrevista, o odontólogo Ricardo Oliveira disse que considera as acusações feitas a sua pessoa um equivoco. Conforme ele, sua função homologada no município é para o cargo de coordenador de saúde bucal, qual não exige carga horária definida. "Em conversa com o promotor, ele me questionou sobre a questão do ponto o qual foi estipulado que eu teria que fazer para ter um vinculo relacionado a questão de carga horária. Porém, o meu cargo não exige carga horária. Talvez o erro foi meu de aceitar fazer o ponto", pondera Ricardo, completando que seu salário equivale a vinte horas trabalhadas. "É o mínimo que um profissional poderia receber na função odontológica. Talvez a questão do ponto me prejudica porque o meu salário não chega a R$ 2 mil por mês, qualquer cidadão pode consultar no Portal Transparência. Eu nunca fui favorecido e nunca pedi um favorecimento ao prefeito"

Ricardo anota ainda que sua função de coordenador exige que ele tenha envolvimento o dia todo com o município. "Eu coordeno os colegas dentistas, faço licitações de compras de materiais, entrega de materiais aos profissionais, elaboração de projetos de saúde bucal, atividades em escolas", assegura o investigado.

O profissional reforçou ainda que sua função não exige o cumprimento de carga horária. "Eu não precisaria estar na UBS, porque minha função é coordenar. Mas devido ao déficit de profissional da área eu completo o quadro atendendo no Fátima 2. Inclusive essa denúncia não partiu de um paciente, porque só temos elogios e agradecimentos do nosso atendimento. Como vou cumprir carga horária e ao mesmo tempo coordenar? Ai me questionam porque vou para o consultório. Eu sendo dentista como vou negar atendimento para alguém? Quando o GAECO chegou ao meu consultório eu estava atendendo uma gestante de sete meses com abcesso bucal. Eu não posso negar atendimento em horário algum, independentemente se esteja em casa, na prefeitura, ou em qualquer lugar. Ai estou indo contra o juramento que eu fiz quando me formei", completa.

Outra questão levantada pelo MP, conforme Ricardo, foi o seu envolvimento político com o prefeito Luiz Carlos Xavier. "É notório, todo mundo sabe que tenho uma relação de amizade com o prefeito e já fizemos parte do mesmo partido. Eu tenho uma vida política muito grande. Meu pai foi político por muito tempo, meu cunhado foi deputado por várias vezes. Entendo essas denuncias como uma retalhação política. Escolheram um alvo e agora estamos tendo que prestar esclarecimentos", continuou o dentista, dizendo que está tranquilo quanto ao processo. "Vamos ter o tempo certo para esclarecer essa questão. Porém, nunca pensei em ter que prestar esclarecimentos. Uma coisa que não entendi foi o porquê do estelionato, o que roubei do município? Cogitaram que eu era um funcionário fantasma. Fantasma para mim é quem não aparece, eu trabalho todos os dias. Minha agenda do Fátima 2 foi levada pelo MP, comprovando os meus atendimentos. Eu atendo pacientes de todos os bairros, por ser um 'bombril' da odontologia porque faço de tudo e acho que recebo muito pouco pelo que eu trabalho", dispara ele.

Por fim, Ricardo disse que as denúncias o pegaram de surpresa e o deixaram chateado. "Um nome de vinte anos de trabalho na comunidade, ano passado, fui considerado Cidadão Otaciliense. Por uma questão política ser retalhado de uma maneira assim me deixa chateado. Mas estamos tomando as medidas que precisam ser tomadas e vamos defender", concluiu ele. 






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