ivc.png

Mãe de autista: as transformações e os desafios enfrentados

Elaine Leal


"Algumas pessoas escutam repetidamente a palavra mãe e não dão valor. Essa expressão foi tão difícil para eu escutar. Ele me chamou de mãe pela primeira vez quando estava com quatro anos de idade", disse Danielle. 

Danielle de Souza, 39 anos de idade, é mãe de Murilo de Souza Barbosa, 11, anos, que foi diagnosticado com o transtorno do Espectro Autista (TEA) quando ia fazer quatro anos. Ele possui nível leve do transtorno. A mãe morou seis anos na Europa, fala três idiomas e imaginava que seu filho falaria, no mínimo, quatro. "Mas meu filho demorou 4 anos para falar a palavra mãe. Nem o português ele pronunciava. Foi uma lição de vida e humildade para mim. Passei a dar valor para as pequenas coisas. A experiência de ser mãe do Murilo é imensurável", afirmou emocionada.

Ela compartilhou que uma atividade corriqueira na vida de outras pessoas significa uma vitória para ele e para toda a família. Algo fundamental é o apoio que recebem da família paterna do menino. Sempre que necessário a avó paterna fica com o neto, ressaltou Danielle. A avó materna de Murilo já é falecida. "Com o apoio da família tenho minha vida profissional e dou uma melhor qualidade de vida para ele", declarou.

Os desafios como mãe


Para Danielle, o maior desafio foi entender do que se tratava o TEA e conseguir trabalhar com a sociedade e família paterna todas as questões que envolvem o transtorno. Murilo iria precisar de uma rotina e de aceitação da sociedade. O grande medo desta mãe era a exclusão social do filho. "Nos dias de hoje, isso não acontece, pois o assunto tem sido bem debatido. Vejo o carinho que os colegas da escola têm por ele, é muito bacana", asseverou.

Como viveu fora do país por anos, outra superação e mudança foi passar a viver em Otacílio Costa, algo que foi enfrentado com coragem, criatividade e inovação por ela, que se reinventou profissionalmente. Ela criou, na Capital da Madeira, a uma escola de Inglês no bairro Fátima. "Vejo que pais de autistas mais severos abandonam o trabalho para dar mais cuidados aos filhos. Meu maior desafio é estar condicionada a viver em Otacílio Costa. Não deixaria ele aqui e nem levaria meu filho para longe da família paterna", afirmou.

Como ele seria como adulto? Qual autonomia poderia atingir? Essas eram algumas das questões que deixavam esta mãe preocupada. A cada ano, porém, percebe que o filho tem conseguido mais autonomia. Se ele um dia vai trabalhar fora? Ela não sabe, mas o caminho, hoje em dia, é mais claro e amplo do que quando foi dado o diagnóstico.

Vida escolar de Murilo

Este ano, Murilo passou a estudar na escola Pedro Alvares Cabral. Lá, está no 6° ano e recebe todo apoio e suporte da instituição, tem uma segunda professora ao seu lado e amigos que aceitam e incluem Murilo em tudo. "Tive medo da reação dele, pois nunca estudou numa escola grande, sempre no bairro Igaras e até o 5° ano na Barão. Porém tudo correu bem", lembrou.

Danielle explicou que a suporte da Educação Especial, Tânia Matias Werner Fronza, tem acompanhado o quadro e a educação de Murilo, desde que ele estudava na escola Barão do Rio Branco, no Igaras, e sempre orienta as profissionais no trabalho com seu filho. "As profissionais são muito capacitadas. A cada vitória e evolução nós comemoramos. As professoras mudam a cada ano, mas a Tânia sempre está ali para explicar como trabalhar com o Murilo", finalizou.


Imagens

Foto: Elaine Leal
Foto: Elaine Leal
Foto: Elaine Leal
Foto: Elaine Leal




correiootaciliense




Logo_CO_rodape.png
IVC.jpeg

Endereço: Rua Aristeu Andrioli, 592 - B. Pinheiros - Otacílio Costa - SC
Email: correiootaciliense@gmail.com
Telefone: (49) 3275 0857

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Correio Otaciliense