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Motoristas contam suas histórias e falam sobre os desafios da profissão

Neste sábado, 25 de julho, é comemorado o Dia do Motorista.

Alguns deles passam dias fora de casa, enfrentam os perigos nas estradas e sentem muitas saudades da família. O Dia do Motorista é comemorado no próximo sábado, 25, e para homenagear a categoria conversamos com profissionais da cidade de Otacílio Costa sobre os desafios e histórias destes profissionais. Na data, também se festeja o dia de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.  

Segundo Edson Souza, presidente da Cooperativa dos Transportadores de Cargas de Otacílio Costa (COOPEROC), a cooperativa conta com 34 sócios e mais de 50 profissionais do volante. Ele acredita que na categoria de motorista de caminhão, incluindo os autônomos, a cidade deve ter mais de 400 trabalhadores, o que gera um estúmulo econômico grande para o município. "A nossa cidade é um polo de trabalho muito bom para os motoristas, são várias empresas com bom número de trabalhadores e mais os autônomos, acredito que passa de 400 trabalhadores. Imaginando este número, mais três pessoas na família, o total de pessoas dependentes ou envolvidas com a profissão, fica um número bem interessante e todos consumindo e investindo na cidade. O fator econômico fica bem estimulado", ressaltou.

Ele pontuou que a criação da cooperativa foi uma necessidade para que os autônomos na época sobrevivessem aos baixos valores pagos e ao domínio de grandes transportadoras, as primeiras reuniões datam do início de 2001. O registro do CNPJ ocorreu em 13/08/2001.

"Nesta data em que se comemora o dia do motorista quero agradecer a Deus por trabalhar com esta categoria, fazer parte da história de alguns e parabenizar a todos, desejando boa viagem sempre com segurança e atenção às armadilhas da estrada, e a nossa comunidade que sempre olhem os profissionais do volante como seres humanos que estão ali buscando o sustento de suas famílias, levando e trazendo nossas riquezas, e que sempre estão dispostos a ajudar em qualquer momento e circunstância".

"Sempre gostei da profissão, pois sempre tive contato, minha primeira inspiração foi meu pai", afirmou Tunico.


O caminhoneiro otaciliense Antonio Carlos Xavier de Souza, 57 anos, mais conhecido como Tunico, contou que desde criança sonhava em ser caminhoneiro. Sua grande inspiração foi seu pai, que trabalhava transportando madeira e depois em uma transportadora. "Sempre gostei da profissão, pois sempre tive contato, minha primeira inspiração foi meu pai. Desde pequeno já gostava e fui me apaixonando mais ainda ao longo dos anos. Eu me sinto realizado em seguir a profissão que sempre gostei".

Uma família de caminhoneiros. Ele, que está na profissão há 37 anos, além do pai caminhoneiro, também compartilha o amor pela profissão com seus três irmãos. Sua paixão por ser motorista só não é maior do que seu amor pela família e, por causa de sua esposa e filhos, optou pelo transporte de pinos sempre perto de casa. "Como eu nunca gostei de viajar para longe, fomos fazer uma viagem com meu primo até Campinas/SP. Como demorava muito para procurar a carga eu optei por ficar mais perto de casa puxando pinus. Agora já estou acostumado a ficar mais próximo da família", explicou.

Tunico lembrou que o que mais o marcou em uma de suas viagens foi presenciar um acidente na Serra dos Pires. "Quando um caminhão de cavaco tombou na minha frente, saí do meu caminhão para ver a situação. Havia três pessoas envolvidas no acidente, um casal e o motorista. O casal, infelizmente, já havia falecido e o motorista estava vivo, mas prensado em baixo do tanque do caminhão e o óleo do tanque caia em cima do rosto dele. Ele não podia se mexer e apenas gritava por socorro e com o óleo no rosto. Peguei um litro e fiquei segurando para que o óleo não caísse mais em sua face até o resgate chegar, logo chegou e fui embora. Ouvi falar que ele está vivo e mora em Pouso Redondo, sempre que passo naquele lugar lembro e fico comovido", finalizou.


"Nesses dias de pandemia tem sido muito difícil para todos nós da nossa categoria: contas a pagar, família pra sustentar e a incerteza do amanhã", declarou Franciele Lima Blum.




Franciele Lima Blum, 36 anos, há 15 atua na profissão de motorista. Ela, que dirige van, ônibus e quando se faz necessário, caminhão, fez questão de dizer que é grata por ter escolhido essa profissão, mas percebe que sua categoria está esquecida. "...transportamos a maior riqueza dos pais e seus familiares, com muito carinho cuidado e dedicação. Mas estamos sem amparo do estado e governantes, contando somente com alguns pais e alunos que estão nos pagando parcela reduzida, e cada dia que passa muitos estão cancelando seus contratos", lamentou.

Na sua família o machismo não existe. Seus maiores incentivadores na escolha da carreira foram seu irmão e pai, ambos motoristas. "Desde que eu tinha 11 anos de idade meu irmão, que hoje tem uma frota de caminhões, sempre me incentivou. Meu pai, que também era motorista de caminhão e meu marido, que sempre me incentiva e apoia. Sou grata a todos eles e aos meus familiares".

Uma das suas recordações mais marcantes, de início de carreira, é de quando foi fazer mudança de carteira para dirigir van, ônibus e caminhão. Algumas pessoas acharam que ela não iria conseguir por ser mulher. "Mas isso para mim não foi problema, e sim combustível para meus sonhos e para seguir em frente, tanto que fui contratada para transportar funcionários de uma empresa em uma cidade vizinha. Eu sempre tenho uma coisa comigo, que é Deus acima de tudo", afirmou.


"O que mais me marcou foi quando estava à caminho de Campina Grande, na Paraíba, já há uns 60 dias fora de casa e me acidentei", recordou Rubia Passos



Um acidente quase interrompeu o sonho profissional de Rubia Passos, caminhoneira há 14 anos. Ela recordou que estava à caminho de Campina Grande, na Paraíba, e já fazia uns 60 dias fora de casa quando se acidentou. Rubia ficou presa nas ferragens por quatro horas, "não sentia as pernas, romperam todos os ligamentos do meu braço esquerdo. Voltei a caminhar só depois de 02 meses. Fiquei afastada por mais de um ano. Mas voltei à trabalhar pois essa profissão é minha paixão", relembrou.

Ela é mãe da pequena Valentina e, há 14 anos, trabalha como motorista de caminhão. Rubia Santos dos Passos, 42 anos, tem na profissão sua grande paixão e realização de um sonho de infância. Seu grande referencial foi seu pai, o saudoso Pedro dos Freios, "...apesar de ele ser mecânico, me criei vendo ele trabalhar com caminhões, aí minha vontade de trabalhar com caminhão. Na família tenho tios e primo caminhoneiros".

A caminhoneira já esteve em todas as áreas do Brasil. Ela fez muitas viagens para o Nordeste, para o Norte, Centro Oeste e Sudeste do país, ficava em torno de 45 dias fora de casa.






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