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Pecuaristas falam da importância da tecnologia para garantir a produtividade

Em Otacílio Costa existem aproximadamente 480 pecuaristas que executam a atividade com pecuária de corte, leite, ovinocultura, piscicultura, avicultura, equinocultura, apicultura e suinocultura, diz Epagri.

Elaine Leal


A pecuária é uma atividade antiga e promissora em Otacílio Costa. Antes mesmo da extração da madeira ela já era praticada pelos mais antigos. No começo, era feita a produção de charque, de queijo, entre outras atividades. As famílias se criaram vendendo gado, levando tropa de porco e gado para entregar em frigoríficos de todo estado. Essa é a história de muitas famílias pecuaristas da cidade.   

Os pecuaristas Orleide Silveira Duarte, 54, e Silene Zibell Duarte, 51, casados há 33 anos, têm uma rotina de vida de acordar às 6h, tomar seu chimarrão e ir trabalhar na fazenda da família. Ela tira leite e ele cuida dos animais. Um dos pontos que destacaram como sendo fundamental para o sucesso de seus negócios é o investimento em tecnologia. Eles são moradores da localidade de Goiabal, no interior de Otacílio Costa.

Eles pontuaram, que, hoje em dia, a tecnologia tem auxiliado muito na questão de uma maior eficiência na reprodução do animal, o que aumenta os lucros. Por exemplo, alguém que tenha 100 vacas está conseguindo de 70% a 80% de prenhez. "Antigamente 40 ou 50% era o ápice. Antes, uma vaca dava cria este ano e no outro não. Agora todo ano a vaca coloca um terneiro. Isso tem acontecido", destacaram.

Antes, comentou o casal, em 100 hectares se engordava 25 a 30 cabeças. Hoje em 4 ou 5 hectares o pecuarista mantem a mesma quantidade de antigamente. Para isso, ressaltam, a assessoria de empresas parceiras e a tecnologia não podem faltar. "A Epagri nos auxilia muito e o ATeG, do SENAR, também veio para agregar conhecimento e valor. Um projeto muito bom e conjunto com o sindicato. Temos 175 hectares. No verão, uma parte alugamos para plantação de soja e ficamos com 60 cabeças em 20 hectares. Já no inverno compram 100 cabeças para engorda", salientaram.

Eles produzem e vendem os terneiros e também fazem a terminação para a engorda. O mercado deles é tanto o comércio local quanto para outras cidades de Santa Catarina.


Sucessão familiar

"Meu bisavô, quando entrou aqui, era tudo mato. Ele veio para cá por convite do senhor Otacílio Costa para colonizar a área. Ele era do Rio Grande, foi morar em Correia Pinto e depois veio para cá. Estamos há anos nestas terras", falou Orleide.

Nos mesmos passos em que foram orientados criaram a filha Karine Zibell Duarte Kauling, 26, que ama e tem orgulho de ser do interior. Ela é casada com Vinicios Wigens Kauling, 31. Juntos ajudam a família dela e os pais dele, que também são pecuaristas.

"É muito importante saber que teu filho está do teu lado. A família é muito importante. Graças a Deus nossa filha nos ajuda, tem gosto pelo que faz e segue nossos passos. Ela tem orgulho de ser do campo, da agricultura e da pecuária".

O senhor Orleide contou que aprendeu muitas coisas com o seu avô, homem que não tinha estudo, mas possuía muita sabedoria e experiência de vida. Meu avô, que me ensinou o básico de administrar, de cuidar da vaca, da fazenda, nos levava na fazenda em Lages e nos mostrava os touros, para nos mostrar a evolução da área. Ele não tinha estudo, mas tinha a prática da vida".

Para os pecuaristas, a sucessão familiar é o maior sucesso que podem ter. Sua filha será a sucessora deles. "Eu e meu irmãos ficamos aqui na terra e cuidamos no lugar do vô. Nossa filha ama a terra e tem orgulho do que faz. Ela é nossa sucessora", finalizaram.


 "Pecuária de corte e leite, em Otacílio Costa, está bem avançada e competitiva", afirma Murilo Nunes, engenheiro agrônomo da Epagri.

Conforme Murilo, na cidade de Otacílio Costa, a pecuária de corte e leite está avançada e competitiva. Ele destacou que os índices produtivos e zootécnicos no município não ficam atrás em comparação com outras regiões produtoras de carne e leite de Santa Catarina. "O pecuarista busca constantemente se profissionalizar dentro do setor, através da participação em cursos e reuniões técnicas, participando em dias de campo, feiras agropecuárias, buscando por assistência técnica especializada e outros eventos", declarou.

Na terra marcada como a Capital da Madeira, de acordo com Epagri, existem aproximadamente 480 pecuaristas, que executam a atividade de pecuária de corte, leite, ovinocultura, piscicultura, avicultura, equinocultura, apicultura e suinocultura. No ano de 2018, dentro do setor agropecuário a pecuária movimentou R$ 11.744.192,20, o que representa 31,03% das entradas do setor, sendo a segunda maior entrada, ficando atrás somente dos grãos. "É bom lembrar que a pecuária é a atividade que engloba a criação e venda de animais para criação, domesticação ou abate. Esse ramo produz importantes matérias-primas que abastecem as agroindústrias, como carnes para frigoríficos, peles na indústria de couro, leite para laticínios e muitos outros", explicou.

O engenheiro pontuou que o mercado da pecuária de corte no Estado Catarinense está aquecido. A baixa disponibilidade de animais prontos para o abate e o bom fluxo das exportações brasileiras da proteína justificam a alta da pecuária. "Para se ter ideia de como o mercado está bom, a produção de carne em SC mal consegue suprir metade da demanda estadual por carne bovinas, fazendo com que essa deficiência seja adquirida de outros estados ou pela importação", falou.

Murilo apontou que a Epagri ser uma empresa pública de pesquisa e extensão rural em Santa Catarina tem como objetivo aumentar a competitividade da pecuária local e regional, com a utilização de sistemas sustentáveis de produção e sistemas de múltiplo uso. "Através de visitas técnicas, reuniões e dias de Campo, realizamos atividades a campo com os pecuaristas e parceiros (empresas privadas de venda de insumos) para fomentar novas cultivares forrageiras, melhorar o manejo e a implantação de pastagem, melhorar a gestão da atividade, planejar a nutrição dos rebanhos e a eficiência na produção visando o fortalecimento da agricultura familiar e a qualidade dos produtos", concluiu.


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Foto: Elaine Leal
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