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DE BEM COM A VIDA

As lições de Pérgamo: utilizando as dificuldades e o conhecimento a nosso favor

Como os habitantes de uma cidade revolucionaram o mundo não se rendendo ao vitimismo

Alisson Magalhães / CO

Pérgamo foi uma das cidades mais importantes da Ásia. Fundada no século V antes de Cristo, cresceu conquistando toda a região costeira do continente, próxima ao mar Egeu, e ocupava um território onde hoje está a moderna cidade de Bergama, na Turquia.

A importância de Pérgamo se dava principalmente pela sua vasta e rica cultura. Já no século III a.C., a biblioteca da cidade começava a rivalizar com a biblioteca de Alexandria. Habitada por pensadores e amantes das artes e cultura, a cidade manteve, desde cedo, uma política de Paz com o Império Romano, mas acabou despertando a ira do Egito quando começou a travar uma disputa sobre qual cidade teria a maior biblioteca.

Essa disputa fez com que o rei de Alexandria - que era a principal fornecedora do papiro na época - impusesse a Pérgamo um embargo e se recusasse a enviar papiros para a cidade, numa tentativa de impedir que seus pensadores continuassem escrevendo. Nesse momento de dificuldade, o Rei Eumenes II ordenou que fosse encontrado outro material que substituísse o papiro na confecção de manuscritos.

Após muita reflexão e trabalho, foi dessa situação que se descobriu que o couro, depois de envernizado, poderia não apenas servir para a escrita, como duraria muito mais tempo, e então foi inventado o Pergaminho. E é por conta deste material que temos acesso, hoje, a vários manuscritos antigos, inclusive os da bíblia. Não é incrível como podemos usar a dificuldade a nosso favor.

Como se escreve sem papel? Como se criam livros sem sua matéria-prima? Como transformar uma biblioteca na maior do mundo sem livros? O embargo de Alexandria caiu como uma bomba e poderia ter efeitos devastadores para a cidade de Pérgamo e para a própria civilização. A Dificuldade poderia representar o fim do sonho (Está tudo perdido para nós, eles diriam). Poderia representar um convite ao comodismo (Já somos a segunda biblioteca do mundo, vamos nos contentar com o que temos). Poderia até mesmo representar uma afronta e levá-los a uma guerra que poderia destruir ambas as bibliotecas, o que seria uma tragédia cultural para a humanidade.

Você tem duas escolhas: lidar com as dificuldades ou sucumbir a elas

Felizmente, nenhuma dessas coisas aconteceu. Por quê? Porque Pérgamo decidiu que usaria a dificuldade como um trampolim. Não tem mais papel? Vamos inventar outra coisa onde possamos escrever. A cidade era habitada por pensadores e, no momento da dificuldade, eles fizeram juz à sua herança e legado culturais: inventaram sua própria matéria-prima e, por consequência, reinventaram a própria maneira de se escrever em seus dias.

A Lição? Quem tem recursos (não estou falando de dinheiro), repertório e disposição sempre contorna as dificuldades que se apresentam em todas as áreas da vida. Ninguém culparia os habitantes de Pérgamo se reclamassem abertamente, se decidissem se fazer de vítimas ou minorias a fim de tentar conseguir apoio das outras nações, ou mesmo se fossem à guerra; mas como eles sabiam o que eram e tinham repertório e disposição, ao invés de ficar se lamuriando e reclamando da dificuldade, transformaram a dificuldade em algo pelo qual lhe agradeceram e lhe rendeu fama e riqueza durante anos, tanto que o papel só começa a substituir o papiro apenas depois do século XIII.

Não é fantástico o que acontece quando nos recusamos a ceder à tentação de parecermos vítimas? Quando buscamos em nosso senso de identidade e sabedoria as soluções para os desafios e problemas que se apresentam? A história da cidade de Pérgamo, que é citada na bíblia, no livro de Apocalipse, no fim dos tempos, representa uma lição preciosa para uma geração acostumada a tratar a dificuldade como síndrome e favores como se fossem obrigação de quem lhes assiste.

Mais do que nunca, precisamos reaprender que nós somos - ou deveríamos ser - os protagonistas de nossa história. Entender isso nos protege das síndromes modernas que escravizam nosso passado, atrapalham o presente e destroem o futuro.

Todos vão passar por momentos difíceis. Alguns vão aprender a superá-los

Se existe uma certeza além de que todos, um dia, vamos passar pela morte, é que vamos, nesta vida, passar por dificuldades. Preste atenção, ninguém é feliz 100% do tempo, e quem tenta mostrar que é está mentindo, inclusive para si. Todos nós vamos lidar com desafios, tribuçações e vamos encontrar situações que vão exigir de nós algum esforço para superarmos.

Não é uma questão de "Se". É uma questão de "quando". A questão, então, não é se livrar dos problemas, e sim aprender, como Pérgamo, a transformá-los em oportunidades que nos permitam crescer, amadurecer e, no processo, reinventar nossa forma de ver as coisas. Talvez o processo até nos permita descobrir coisas que impactem a vida de outros.

O segredo é mudar a mente para enxergar, quando o problema surgir, oportunidades de crescer e de mudar a forma como as coisas são feitas, utilizando a dificuldade ao seu favor. Você pode. Não desista.

Empresas ruins são destruídas pelas crises. Boas empresas sobrevivem a elas. Empresas excelentes são melhoradas por elas.
- Andy Grove, ex-CEO da Intel





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