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EM DIA COM A FÈ

Que tipo de pródigo você é?

Alisson Magalhães, pastor e jornalista

Poucas palavras em nosso idioma têm significados tão opostos, excludentes e ao mesmo tempo tão grandiosos e antagônicos. A palavra ‘pródigo’ é um exemplo. Como profissional que atua na área de comunicação, acabo lidando com as palavras o tempo todo, revirando seus significados e tentando encaixá-las para, de alguma maneira, extrair o melhor delas na hora de contar histórias. Mas a verdade é que as palavras não são perfeitas.

Veja a palavra ‘pródigo’. No dicionário há dois significados para essa palavra quando usada como adjetivo. O Primeiro é “quem gasta de forma desmedida ou compromete suas possibilidades econômicas com gastos excessivos”. Isso já deve lhe ter feito lembrar o que tenho em mente.

Jesus se utiliza de uma metáfora poderosa para contar uma parábola cuja incompreensão atravessou os séculos, isso para não falar do verdadeiro espanto que causou à sua audiência original.

Estamos falando de judeus do século I, vivendo sob um sistema patriarcal. Naquela época em razão da escassez de alimento e da dificuldade em proteger as propriedades, as pessoas precisavam estar intimamente ligadas à terra, com todas as funções sendo feitas em conjunto pelos servos, e o grande responsável por manter a engrenagem girando era o patriarca, cuja figura extrapolava os limites da família e recaía até mesmo sobre os empregados da propriedade e suas famílias.

O Patriarca era, portanto, uma figura central, a quem se devia profundo respeito. Apenas um dos apóstolos registrou as palavras de Jesus quando contou essa parábola, que você pode no capítulo 15 de Lucas. Leia – ou releia – o texto na bíblia e só depois continue a leitura.

Pois bem, para entender corretamente a parábola, devemos fazer um exercício de retorno ao tempo em que ela foi contada, viajando no tempo e entrando na mente daqueles simples camponeses que ouviram a história diretamente do Cristo.

O Primeiro absurdo aqui é a questão da antecipação da herança. Para os judeus que ouviam Jesus, isso era equivalente a desejar a morte do patriarca, algo que poderia, inclusive, ser punido com apedrejamento até a morte. Na prática, ao pedir a antecipação da herança, o filho está, na ótica daqueles homens, literalmente desejando a morte de seu pai.

Com um coração duro ele extrapola todos os limites do absurdo, personificando, com suas atitudes posteriores, inclusive, a inconsequência de um cego caminhando a passos largos para o precipício, e lá ele cai. Literalmente, de acordo com Cristo. No meio da miséria, diz Jesus que ele “caiu em si”, e nada há, mais pedagógico, do que a dor. Sua consciência o acusa e, arrependido, decide voltar para o pai.

Imagine, na cabeça dos judeus, o absurdo de um jovem inconsequente, depois de ter desejado a morte do pai voltando para buscar perdão. É aí que descobrimos, na história, o segundo significado da palavra pródigo. Lembra que eu disse que essa palavra tem dois significados completamente distintos quando usada como adjetivo? Pois é.

O segundo significado é “Quem tem ou oferece algo de forma abundande, alguém que é generoso’, e é precisamente no episódio do retorno do filho à sua casa que a sabedoria e a sutileza de Jesus impressionam ainda mais: O patriarca, em prantos, ignora toda a humilhação pública que sofreu com a atitude inconsequente e corre em direção ao filho, abraça-o e beija-o no rosto diante das pessoas, numa cena que contrariava todas as convenções sociais da época.

Num arroubo de amor, o pai manda trazer sandálias e o anel, objetos que somente eram usados por membros da família, devolvendo ao filho sua posição na família, numa cena que ilustra uma das mais importantes lições do cristianismo, de forma tão sutil, que raramente é encontrada à primeira vista na história.

Ao restabelecer ao filho sua condição, Cristo está ilustrando a realidade poderosa de que não podem existir interferências de qualquer natureza no relacionamento de Deus com o homem. É uma religação direta e imediata, sem convenções sociais ou a necessidade de formalidades.

Na lei do amor, as atitudes que valem para selar o relacionamento entre Deus e o homem partem da maneira como vivemos para trazer “o que estava morto de volta à vida”. Na verdade, o que Cristo quer que entendamos é que exatamente que nossas atitudes devem ser como a do pai, que atuou para devolver a vida ao seu filho dentro de sua casa. Absurdo? Sim, a generosidade que parte de um coração cheio da Graça é absurda.

Sem levar em conta as atitudes do segundo filho, que são tão absurdas quanto as do primeiro, cabe aqui salientar que a história, ao contrário do que parece, não é apenas sobre uma família do século I. É uma história que extrapola e atravessa a história. É uma história sobre todos nós. É sobre a humanidade.

De uma forma ou de outra, todos nós somos ‘pródigos’, mas o que define a realidade de nossa vida é qual dos dois pródigos somos, e o que responde isso são as nossas atitudes.

Inconsequente ou generoso. Que tipo de pródigo você é?




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