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NATAL

Se Jesus não nasceu no natal, porque comemoramos dia 25 de dezembro

Saiba como as comemorações do Natal passaram a ser no dia atual e quando as primeiras comemorações aconteceram.

Alisson Magalhães / CO
Foto: Freepik

O Natal é uma das datas mais importantes do calendário cristão. Seu simbolismo e importância tonam o feriado um dos mais emblemáticos do mundo, sendo celebrado por centenas de países, que incorporam nas celebrações tradições específicas de cada cultura.

Alguns países comemoram no dia 25 de dezembro, enquanto outros comemoram no dia anterior ou no dia seguinte. Embora seja improvável que a data real do nascimento de Cristo seja no dia 25 de dezembro, fato é que a história consagrou o dia como a data na qual as celebrações passaram a acontecer. Entenda um pouco sobre como essa história se desenvolveu.

O quê, e por que se comemora no dia 25 de dezembro?

O Natal comemora o nascimento de Jesus Cristo, sendo uma celebração, prioritariamente religiosa e, em muitos países, também cultural, a partir do momento que passou a ser observada por bilhões de pessoas em todo o mundo, indepentendemente de serem cristãs.

A origem das comemorações em torno do nascimento de Cristo, embora a data do dia 25 de dezembro seja improvável (apesar de não impossível), remontam ao século IV, quando a igreja combinou a história de dois feriados que já aconteciam para homenagear o nascimento do Cristo. Embora as considerações para usar o feriado remontem ao século III, por volta de 273 d.C., foi somente em 25 de dezembro de 336 d.C. que a primeira celebração de Natal, de fato, aconteceu.

Na época, os romanos comemoravam, em 25 de dezembro, o dia do nascimento do sol invicto romano (Natalis Solis Invicti), correspondente ao solstício de inverno no hemisfério norte, quando a luz do dia começava a aumentar gradativamente sobre a noite. Embora a data homenageasse o deus Mitra, procedente da região da Síria e Irâ, no calendário civil romano, o dia 25 de dezembro reverenciava o sol invencível, que triunfa sobre a escuridão. Como culto a Mitra, a prática teve fim em 375 d.C., quando o imperador Teodósio publicou um edito estabelecendo o cristianismo como religião oficial do Império Romano, banindo todas as outras.

Foi desta noção de sol da justiça, que a igreja, então, baseou o simbolismo da data para ressignificar os acontecimentos e passar a reverenciar Jesus como o verdadeiro sol invicto, que vence toda escuridão.

A primeira Celebração de natal da história

Wikipedia/Reprodução/O Cronógrafo, de Fúrio Dionísio Filócalo, de 354 d.C., é o documento onde conta a lista que registra a primeira celebração do natal da história, em 336 d.C.

Antes do ano 312 d.C. os cristãos eram perseguidos e não podiam realizar abertamente nenhuma reunião. Foi com o edito de Milão, em 312 d.C., do imperador Constantino, que garantiu a liberdade de culto aos cristãos, tornando o cristianismo uma das religiões aceitas no império romano, que os cristãos puderam se reunir publicamente.

Com a liberação do cristianismo no império, as datas e comemorações cristãs começaram a ganhar força, e é num calendário produzido por um calígrafo romano, chamado Fúrio Dionísio Filócalo, principal ilustrador e calígrafo daquele período em Roma, o Cronógrafo, de 354 d.C., que encontramos a primeira menção ao dia 25 de dezembro como sendo declarado, por alguns bispos romanos, o dia do nascimento de Jesus.

A cronografia, como todos os calendários romanos, também é considerado um almanaque, e inclui representações alegóricas dos meses, vários textos e listas diversas. O Cronógrafo, também conhecido como Calendário de Filocalus, é onde encontramos a referência mais antiga ao Natal, como o conhecemos.

Em uma lista de alguns bispos, Fúrio registra a seguinte informação: "25 de dezembro - natus Christus in Betleem Judeae.", que quer dizer: 25 de dezembro, Cristo nasceu em Belém, Judeia. Segundo Fúrio, a citação é do ano de 336 d.C., e a data - 25 de dezembro de 336 - passou a ser considerada a primeira celebração do Natal registrada na história.

Jesus nasceu em 25 de dezembro?

Com base na bíblia é impossível se chegar a esta conclusão. Embora não seja impossível, especialistas apontam ser improvável que Jesus tivesse nascido numa época de inverno na palestina. A maioria dos comentaristas dos textos bíblicos aponta que os evangelhos não apontam uma data específica, mas descrevem a noite do nascimento de Cristo. Lucas, um dos mais detalhistas, escreve no capítulo 2, verso 8: "Nos arredores, havia uns pastores que pernoitavam nos campos, montando guarda a seu rebanho".

Dificilmente seria possível que os pastores acampassem em pleno inverno. A época em que isso seria mais possível seria a primavera, época de nascimento dos cordeiros na região, entre os meses de março e abril. É provável que os evangelistas não se preocuparam em registrar a data do nascimento de Cristo por uma questão de costume. Naquela época, a data da concepção era mais importante do que a data do nascimento, uma vez que a vida era celebrada desde o seu início.

A igreja, contudo, entendeu que os simbolismos a respeito do filho de Deus como o Sol da Justiça (presente nos profetas do Antigo Testamento) eram suficientes para ressignificar a data e passar a comemorar, no dia 25 de dezembro, o nascimento do verdadeiro sol da justiça, de acordo com o entendimento cristão.

A árvore de Natal

Reprodução/Internet/São Bonifácio e Martinho Lutero estão nos registros de como surgiram as primeiras árvores de natal

A tradição de usar árvores para decorar as casas remonta à antiguidade. Egípcios, celtas, romanos e até mesmo os vikings costumavam trazer essas plantas para dentro de casa. As árvores eram usadas como decoração no solstício de inverno e simbolizavam que, ao final dessa estação, o sol iria reaparecer e as plantas voltariam a crescer.

Ninguém sabe ao certo quando uma das principais decorações natalinas passou a ser associada às comemorações do nascimento de Cristo, mas sabe-se que a origem foi na Alemanha. Primeiro com São Bonifácio, missionário inglês do século 8, apóstolo da Alemanha, que teria utilizado, segundo a tradição, a planta sempre-viva como um símbolo do Cristo eterno.

Já no século XVI, por volta de 1530, o monge Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, teria sido o responsável por popularizar o costume na Alemanha. De acordo com historiadores, os germânicos, nessa época, tinham o hábito de decorar as casas com pirâmides de madeira e folhas de árvores. Enquanto caminhava pela floresta, Lutero teria se encantado com a visão de um pinheiro coberto de neve sob o brilho das estrelas no céu. Quando chegou em casa, tentou reproduzir para seus familiares a linda imagem que havia visto, usando galhos de um pinheiro, algodões (para simbolizar a neve) e algumas velas imitando as estrelas.

Contudo, foi só em 1846 que a tradição se espalhou pela Europa, após a publicação de uma ilustração da família real inglesa, que mostrava a Rainha Victória, o príncipe Albert e os filhos em volta de uma árvore decorada cheia de presentes, que impulsionou o costume a ponto de pessoas de outros países passarem a adotá-lo.




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