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PANDEMIA

'Tenho 25 anos de formado e nunca havia experimentado uma situação como esta', diz doutor Pedro.

Ele é médico da linha de frente do enfrentamento à Covid-19 no Hospital Santa Clara, em Otacílio Costa, e no Tereza Ramos, em Lages.

Elaine Leal


Uma rotina profissional intensa. Assim têm sido os dias de vários profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente do combate à Covid-19. Um deles, o doutor Pedro Arturo Aguilera, 50 anos, relatou as mudanças na rotina diária durante a pandemia do coronavírus. Ele mora em Lages e atende na UTI Covid do Tereza Ramos, um dos hospitais da cidade, e na Ala Covid do Hospital Santa Clara (HSC), em Otacílio Costa. 

O médico compartilhou que, em 25 anos de profissão, nunca tinha passado pelas experiências que tem vivido neste tempo de pandemia. Algo marcante é que como médico, os profissionais já estão "acostumados" aos óbitos de pacientes, mas que antes eram pessoas muito idosas com bastante morbidades e pacientes crônicos. Na pandemia, são jovens entre 28 e 30 anos. 

"Tenho 25 anos de formado e nunca havia experimentado uma situação como esta. Só pelos livros que falam de pandemias. Mas essa experiência da pandemia é uma situação bastante inusitada. Estávamos acostumados a perder pacientes crônicos, idosos com bastantes comorbidades, mas hoje em dia estamos perdendo pacientes jovens com 28, 30 anos. A gente se vê impotente nesta situação", desabafou.

Na rotina diária, Aguilera, que lembrou que sempre quis ser médico, passou a trabalhar 12 horas por dia, de domingo a domingo. Sai para o serviço às 6h e retorna para lar às 20h. Quando chega em casa, cuida da família, dando atenção para os filhos, um adolescente de 12 anos, um menino de dez e uma pequenina de 1 ano e cinco meses.  


"Nossa rotina mudou muito. Antes trabalhávamos das 7h às 15h de segunda a sexta, mas agora, para darmos este suporte, devido à falta de profissionais médicos e de enfermagem, temos que nos desdobrar. Tenho três filhos. Chego em casa cansado do final do dia e tento passar tempo junto com eles. Ajudo nas tarefas da escola, alguma coisa que eles não conseguiram compreender. Tento dar um pouco mais porque eles precisam da gente também", disse o médico.

"A gente precisa de UTI para um paciente, mas já tem 20 pessoas na frente dele", destacou o médico

Pedro relembrou que a mudança que aconteceu no Hospital Santa Clara e no município de Otacílio Costa é uma realidade do Brasil todo. Ele explicou que a unidade hospitalar teve que aceitar o desafio de atender com leitos de enfermaria para Covid-19 porque Lages, Centro de Referência da Região, não estava mais conseguindo tratar todos os casos da doença. "Todos sabem que as UTIs estão lotadas em todo país. O Santa Clara se viu na obrigação de atender com leitos de enfermaria covid-19. Nossos pacientes são daqui, de Lages e toda Região Serrana. São poucos os hospitais da região que tem leito para covid", falou. 

Segundo o médico, às vezes eles precisam de um leito de UTI para um paciente, fazem o pedido, mas se deparam com uma fila de 20 pessoas na frente. Ele destacou que o Hospital Santa Clara tem recursos para entubar pacientes e ficar com eles por dois ou três dias, o que tem ajudado bastante até a transferência para a UTI, em Lages. "Temos quatro ventiladores mecânicos. A gente consegue segurar um paciente aqui dois ou três dias até abrir uma vaga na UTI", afirmou. 

Momentos de perdas e altas

"Já tivemos aqui pessoas que já tinham perdido dois ou três membros da família para a covid-19. Filhos que perderam seus Pais. É difícil pra gente, nos colocamos no lugar deles", lamentou o médico.  

Dentre os momentos difíceis que teve que lidar, Pedro, que poderia enumerar vários, destaca a situação de um paciente que estava internado no HSC, que tinha um familiar internado em outro hospital e veio a óbito. A triste notícia do falecimento teve que ser dada pela equipe do Santa Clara. Em outra situação, já tiveram que dar a notícia a paciente que o pai e o irmão haviam falecido. "Muito difícil", contou.

O que tem acalentado o coração do médico e dos demais profissionais Hospital Santa Clara são as altas dos pacientes. Aguilera conta, mais aliviado, que cada vez que um paciente sai com sua família do hospital é uma festa. Toda equipe participa com cartazes e músicas do momento da alta médica. "Já conseguimos dar muitas altas, pacientes jovens e idosos. Uma satisfação muito grande. A equipe aqui é muito dedicada, desde o zelador até os médicos. Todos dando sua contribuição para melhorar esta situação. Tenho muito orgulho de todos", pontuou. 


Um apelo 

Para o médico, a conscientização é muito importante neste período de pandemia. Ele pede que cada cidadão se previna e se conscientize mais. Além de se solidarizar com o hospital e com as famílias que estão lá.

"Vamos fazer nossa parte para impedir a propagação da doença. Todo cidadão precisa se prevenir. Por que estamos nesta situação? Por que estamos com os hospitais em colapso? Porque estamos subestimando a doença. Com medidas simples podemos prevenir e evitar a doença", orienta. 


Ele finaliza reafirmando que ama ser médico e que enquanto tiver vida e condições físicas vai continuar dentro do hospital e trabalhando na medicina.

"Lembro que a vida toda eu quis ser médico. Na família não tem nenhum familiar, irmão, tio que seja médico. Acredito que seja alguma coisa que aconteceu na infância. Enquanto houver a pandemia estamos aqui com disposição para continuar trabalhando. Entendo que a pandemia é passageira, esta fase vai melhorar. Temos fé. ", concluiu. 

Pedro Arturo Aguilera é Peruano, mas mora no Brasil há 22 anos. Ele fez o revalida assim que chegou no país para poder exercer a profissão.

Imagens

Foto: Elaine Leal
Foto: Divulgação/rede social
Foto: Divulgação/rede social
Foto: Elaine Leal



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