Dona Eli, uma vida dedicada à família, ao trabalho e ao próximo em Otacílio Costa
A história de Eli Terezinha Lins se mistura com a própria trajetória de crescimento de Otacílio Costa. Natural de Lages, ela chegou ao município ainda criança e construiu aqui uma vida marcada pelo trabalho, pela solidariedade e pelo amor à comunidade.
Aos 71 anos, aposentada por tempo de contribuição, dona Eli segue atuando de forma voluntária e atualmente ocupa o cargo de primeira secretária da Diretoria Executiva da Apae de Otacílio Costa. Moradora do Bairro Pinheiros, ela é viúva de José Carlos Lins, o “Carlinhos” (in memoriam), com quem construiu uma família formada pelos filhos Ângela Cristina Lins Schlichting e Jean Carlos Lins, além dos quatro netos — Lucas, Gabriela, Mateus e Júlia — e da bisneta Valentina.
Mudança para Otacílio Costa
A mudança para Otacílio Costa aconteceu em 1964, quando seu pai decidiu deixar Lages em busca de novas oportunidades. “Meu pai trabalhava na prefeitura de Lages e resolveu vir para Otacílio Costa porque tinha uma irmã morando aqui. Logo conseguiu emprego na Olinkraft, na área florestal, onde trabalhou até a aposentadoria”, relembra.
Sua mãe também marcou a comunidade local. Enfermeira antes do casamento, passou a atender moradores da cidade em casa, realizando curativos e aplicando injeções gratuitamente. Mais tarde, foi contratada para atuar nos postos de saúde da região e depois no ambulatório da Olinkraft, onde permaneceu até enfrentar um câncer de mama. “Ela lutou por cinco anos contra a doença, mas infelizmente faleceu”, conta dona Eli.
Foi em Otacílio Costa que tudo aconteceu
Foi em Otacílio Costa que ela cresceu, estudou e conheceu o grande amor de sua vida. “Conheci meu esposo ainda criança, na escola. Casamos em 1974”, lembra com carinho.
A trajetória profissional começou cedo. Em setembro de 1972, ingressou na então Olinkraft, onde trabalhou durante 31 anos. Ao longo desse período, passou por diversas funções, como arquivista, operadora de xerox, recepcionista, operadora de rádio amador, operadora de telex e secretária. A empresa passou por várias transformações, mudando de nome para Manville, Igaras e, posteriormente, Klabin.
“Foi uma vida inteira dedicada ao trabalho. Aprendi muito em todos esses anos”, destaca.
Trabalho voluntário faz parte de sua vida
Além da atuação profissional, dona Eli também se tornou referência no trabalho voluntário e comunitário. Em 1998, entrou para a diretoria executiva da Apae como voluntária, ocupando diferentes cargos ao longo dos anos, incluindo vice-presidência, secretaria e a presidência da entidade entre 2020 e 2025.
Segundo ela, assumir a presidência em meio à pandemia foi um dos maiores desafios de sua vida. “Nossa maior preocupação era não demitir nenhum funcionário. Foi um período muito difícil, mas conseguimos manter todos os salários em dia. Depois da pandemia, o número de alunos aumentou bastante e surgiram novos desafios”, relata.
Apesar das dificuldades, ela guarda com carinho a experiência vivida na instituição. “Ali eu ganhei netas, netos, filhas e filhos de coração. Tenho um carinho imenso pelos alunos e por toda a equipe da Apae”, afirma.
A dedicação ao próximo sempre esteve presente em sua vida. Ainda adolescente, dava catequese para crianças da vizinhança e também atuou como animadora de grupos de família. Atualmente, participa do Clube de Mães Voluntárias da Apae, que se reúne semanalmente.
Hobbies preferidos e histórias pitorescas
Nas horas vagas, dona Eli encontra alegria em hobbies simples, mas cheios de significado: bordar ponto cruz, viajar e aproveitar os momentos no sítio. Entre as viagens mais marcantes, uma permanece viva na memória: a ida à Terra Santa, em Israel, no ano de 2014.
“Foi uma experiência incrível. Chorei várias vezes de emoção”, recorda. Ela também lembra de um episódio curioso durante a viagem. “No primeiro passeio eu me perdi do grupo. Me distraí com o celular e, quando percebi, estava sozinha. Procurei um taxista, expliquei a situação e ele me ajudou a encontrar o caminho até a Igreja da Anunciação, onde reencontrei todos”, descreveu.
Amor por Otacílio Costa
Mesmo tendo enfrentado dificuldades na adaptação quando chegou à cidade ainda menina, dona Eli afirma que aprendeu a amar Otacílio Costa. “No começo chorei muito e queria ir embora. Hoje considero aqui um lugar tranquilo, de povo hospitaleiro, prestativo e muito solidário”, ponderou.
Mensagem Final
Ao final da entrevista, ela deixa uma mensagem de esperança e solidariedade à comunidade: “Todos nós somos capazes de fazer alguma coisa para ajudar o próximo. Não é só o dinheiro que ajuda. Às vezes, uma visita ou ajudar com aquilo que sabemos fazer já é o suficiente. Fazer o que puder, com o que tiver, onde você estiver”, encerrou.



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