Adentramos o mês de março e com ele surgem as falas e homenagens ao Dia Internacional da Mulher, que vêm com um histórico de avanços e lutas permanentes pela valorização e respeito aos direitos e conquistas das mulheres. Ainda existem lugares no mundo em que elas são proibidas até de falar em público e quando procuram a Justiça local a sua palavra não vale nada diante da fala do pai ou do marido.
No mundo, as mulheres são quase metade da população – 49,5% num cenário contraditório: apesar dos avanços na educação e na economia, enfrentam desigualdade de gênero. Há disparidade salarial entre homens e mulheres – no Brasil elas recebem 17% menos para trabalhos iguais. Na política elas são insuficientemente representadas. Nas calamidades, elas estão em maior número de vítimas da violência, do desterro, da fome, juntamente com suas crianças.
Já vivemos em um Brasil em que meninas eram proibidas de estudar - até 1827 e o acesso à universidade só aconteceu em 1879. Também vivemos a proibição de jogar futebol de 1941 a 1979! Permissão para votar veio depois de lutas femininas em 1932 e para entrar no mercado de trabalho sem autorização do marido somente em 1962! Em 2006 foi criada a Lei Maria da Penha para combater a violência contra a mulher e punir criminalmente o agressor e, em 2015, aprovada a lei do feminicídio.
Os avanços na educação levaram mais mulheres a alcançar os cursos de graduação e pós-graduação e ocupar mais postos na ciência, tecnologia e empreendedorismo no mercado de trabalho. Também aumentou sua representação nos cargos políticos.
Ainda existe para muitas a sobrecarga da dupla jornada feita no trabalho e em casa – o que limita a carreira profissional; - e a chamada jornada tripla, que acrescenta o cuidado dos filhos - além da violência de gênero que põe sua vida em risco. Em Santa Catarina foram registradas 225 tentativas de feminicídio em 2025. Somente nos primeiros 50 dias de 2026 houve 8 feminicídios e mais de 11 mil denúncias de violência contra a mulher.
Ainda são desafios a desigualdade salarial, o menor acesso a cargos de liderança e o machismo estrutural. O cenário atual exige, portanto, a contínua luta pela igualdade real, acesso a oportunidades e combate à violência de gênero.
É necessário que as políticas públicas sejam efetivas no combate ao machismo, ao racismo, garantindo direitos e promovendo as mesmas oportunidades a todas. Que exista educação e conscientização para desafiar imagens, ideias ou crenças que discriminem e rotulem comportamento, gênero, aparência e origem. Que sejam garantidos direitos sociais, políticos, econômicos e de saúde.
Ainda se está longe do ideal, mas diante das leis e garantias que protegem hoje as mulheres, é preciso que elas saibam e queiram usá-las. Todo talento deve ser aproveitado para buscar satisfação pessoal e autonomia, seja qual for o trabalho exercido. Aquela que tem oportunidade de se preparar para ser autônoma pessoal e profissionalmente e não o faz, está perdendo a si mesma.
Existem aquelas que, podendo melhorar as condições das mulheres, fazem opção pelo desserviço: 10 deputadas federais votaram contra a igualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil, em 2023. Duas catarinenses entre elas! Será que elas aceitariam receber menos que os deputados homens? Foram voto vencido e a lei 10/85 passou a valer.
Em outra frente, uma atriz famosa recusou-se a emagrecer e até usar as injeções da moda para ganhar um papel de destaque numa atual novela da TV Globo. Leandra Leal se afirmou um papel de mulher que sabe o que quer e que não aceita imposições contra o seu corpo. A atriz, que usou de consciência corporal e humana, fez seu talento vencer a questão.
Tão importante como existirem garantias que melhoram a condição feminina, é preciso que as mulheres assumam o protagonismo de suas existências e sejam agentes de mudança na busca pelo reconhecimento e igualdade. Para além das homenagens, elas querem respeito às suas vidas e aos seus ideais. Que o nome de mulher, além de substantivo feminino, seja sinônimo de talento e plena existência.
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