Para Dora, o voluntariado é antídoto para a dor e o sofrimento
Conhecida carinhosamente como Dora, a advogada e professora aposentada Doraci de Fátima Pereira, de 67 anos, construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação, à vida pública, à comunidade e à família em Otacílio Costa.
Moradora do Bairro Pinheiros, Dora também é reconhecida pelo trabalho voluntário junto à comunidade São José e à Apae, além da força com que enfrentou uma das maiores dores que uma mãe pode viver: a perda do filho Ariel Antônio do Amaral Pereira, vítima de acidente em 2006.
Casada com Narciso Pereira, mãe de Jana Lara do Amaral Pereira e avó de Jean Pereira Júnior, ela relembra sua história com emoção, gratidão e fé.
Infância simples e feliz
Nascida em Otacílio Costa, Dora viveu a infância no sítio até os 11 anos de idade. Sexta filha entre sete irmãos — única mulher — ela guarda lembranças afetivas de uma época simples, mas cheia de amor. “Foi uma infância muito simples e feliz, rodeada por uma família muito humilde, trabalhadora e honesta”, recorda.
Ainda jovem, participou ativamente da igreja, sendo catequista por vários anos e integrante de grupos de jovens. Também atuou como palestrante no Centro de Formação de Lages.
Entre as memórias mais marcantes da infância e adolescência estão as tradicionais Missas do Galo realizadas na lagoa da antiga Olinkraft.
“Havia um pinheiro todo enfeitado bem no meio da lagoa e aquilo era a coisa mais linda do mundo. Nós morávamos no sítio e não tínhamos luz elétrica. Meu pai fazia questão de nos levar”, relembra emocionada.
Uma vida dedicada à educação
Dora iniciou cedo no mercado de trabalho. Aos 12 anos trabalhou na Loja Rech e, posteriormente, como secretária na Escola Técnica de Comércio de Lages, que atuava em Otacílio Costa, formando técnicos em Contabilidade.
Em 1978 iniciou a carreira no magistério, dando aulas no Colégio Elza Deeke. Formada em Letras pela Uniplac em 1982, tornou-se professora efetiva da rede estadual no mesmo ano, atuando na Escola Nossa Senhora de Fátima, Naes e Escola Fazenda Olinkraft.
Ao longo da carreira, lecionou português e inglês até a aposentadoria, em 2008.
Mesmo já consolidada na educação, decidiu buscar um novo desafio e cursou Direito, formando-se em 2004.
Participação na vida pública
A atuação comunitária levou Dora também para a política. Ela foi eleita vereadora por dois mandatos, de 1997 a 2000 e de 2005 a 2008, além de ter sido a primeira suplente entre 2009 e 2012.
Posteriormente, atuou como assessora jurídica da Câmara de Vereadores e também da Prefeitura Municipal.
“Atuar na vida pública foi uma experiência importante, sempre buscando contribuir com a comunidade e com o desenvolvimento do município”, destaca.
Fé e trabalho voluntário
A ligação com a igreja e com ações sociais continua presente na vida de Dora. Desde 2023 ela atua na coordenação do Conselho Pastoral Comunitário (CPC) da Capela São José. “No CPC temos uma equipe maravilhosa de voluntários que verdadeiramente se doam na realização de eventos para a manutenção da nossa amada comunidade São José”, afirma.
Neste ano de 2026, ela também assumiu a presidência da Apae de Otacílio Costa. “Nossa Apae é referência na região e no estado, graças ao trabalho das diretorias anteriores e de toda a equipe. O Lucas é um diretor excepcional e temos profissionais extremamente comprometidos com a causa”, elogia.
A dor da perda de um filho
Entre tantos capítulos da vida, Dora carrega uma dor que mudou sua história para sempre: a morte do filho Ariel Antônio do Amaral Pereira, no dia 23 de outubro de 2006. “A morte do meu filho foi uma tragédia muito dolorosa, um verdadeiro deserto de dor, tristeza, angústia e saudade”, desabafa.
Ela conta que a fé, o apoio da família e dos amigos foram fundamentais para seguir em frente. “A gente nunca supera a morte de um filho, mas aprende a viver com a saudade e com as lembranças do tempo maravilhoso em que estávamos todos juntos.”
Com sensibilidade, Dora também deixa uma mensagem para pais que enfrentam a mesma dor. “Tenham fé. Um dia a ferida para de sangrar. Se doem a algum trabalho voluntário. Nossos filhos continuam vivos em nossos corações e em outro plano superior.”
Em uma reflexão marcada pela espiritualidade, ela resume: “A morte é como uma curva na estrada. Não conseguimos mais enxergar o que há logo adiante. Mas sabemos que a estrada continua.”
Amor por Otacílio Costa
Dora viu o crescimento de Otacílio Costa desde a época em que o município ainda era distrito de Lages. Ela lembra do tempo em que o transporte era feito por charrete e carroça e acompanha com orgulho o desenvolvimento da cidade.
“Viver em Otacílio Costa é muito bom. Aqui conhecemos quase todo mundo pelo nome. Somos um povo solidário e trabalhador”, afirma.
Ela também faz questão de agradecer aos pais, Targino Ribeiro do Amaral e Orestina Steffen, pelos ensinamentos deixados à família. “A vida não foi fácil para eles, mas nos criaram dentro de valores e princípios que nos moldaram como uma família forte e trabalhadora.”
Uma mensagem de propósito
Hoje, entre a família, a atuação comunitária e alguns processos jurídicos que ainda acompanha, Dora segue encontrando propósito em ajudar o próximo.
Seu maior conselho é simples, mas carregado de significado: “Faça algum trabalho voluntário, dedique-se a alguma causa social, tenha um propósito. Dinheiro nenhum paga a satisfação e o bem-estar de fazer algo para melhorar a vida de alguém ou a sociedade como um todo.”




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