Câmara aprova fim da escala 6x1 e redução da jornada para 40 horas semanais
Proposta foi aprovada em dois turnos e agora segue para análise do Senado Federal
A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, 27 de maio, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo dois dias de descanso remunerado por semana.
A proposta representa uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras das últimas décadas e agora segue para análise do Senado Federal.
No segundo turno, o texto foi aprovado com 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, a votação registrou 472 votos a favor e 22 contra.
A PEC aprovada é resultado de um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), reunindo pontos de propostas anteriores dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP).
*Como ficará a nova jornada de trabalho*
Pelo texto aprovado, a jornada máxima passará a ser de:
- 40 horas semanais;
- Limite de 8 horas diárias;
- Dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
A redução da carga horária deverá ocorrer sem qualquer diminuição salarial para os trabalhadores.
*Transição será gradual*
A PEC estabelece um período de adaptação para empresas e trabalhadores.
*Primeira etapa*
Dois meses após a promulgação da emenda:
- Trabalhadores já terão direito a dois dias de descanso semanal;
- A jornada semanal passará automaticamente para 42 horas.
*Segunda etapa*
Após um ano da primeira mudança — totalizando 14 meses após a promulgação:
- A jornada será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.
Durante o período de transição, acordos e convenções coletivas poderão permitir ajustes temporários na carga diária para facilitar a adaptação das empresas.
*Salários e pisos estão garantidos*
O texto determina que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial..
A garantia vale para:
- Salários já pagos;
- Pisos salariais;
- Contratos de trabalho em vigor.
Segundo a PEC, nenhuma redução poderá ocorrer de forma nominal, proporcional ou indireta.
*Categorias com regras diferenciadas*
Apesar da regra geral estabelecer dois dias de descanso e limite de 40 horas semanais, algumas atividades poderão ter regimes específicos definidos por lei ou acordos coletivos.
Entre os setores citados estão:
- Saúde;
- Segurança;
- Transporte;
- Limpeza urbana;
- Escalas especiais como 12x36.
Nesses casos, poderá haver compensação de horários, desde que seja garantida, na média mensal, a folga equivalente a dois dias de descanso por semana.
*Profissionais com altos salários ficam fora do limite*
A PEC prevê exceção para trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social — atualmente equivalente a cerca de R$ 21 mil.
Para esses profissionais:
- As regras de controle de jornada poderão não ser aplicadas;
- A flexibilização dependerá de acordo coletivo ou decisão do empregador.
Mesmo assim, o direito aos dois dias de descanso semanal deverá ser mantido.
*Impacto em micro e pequenas empresas*
O texto também prevê medidas para reduzir os impactos da mudança sobre:
- Microempreendedores Individuais (MEIs);
- Microempresas;
- Empresas de pequeno porte.
As regras específicas serão definidas posteriormente por lei complementar.
Entre as possibilidades discutidas está a autorização para que MEIs possam contratar dois funcionários, em vez de apenas um, como ocorre atualmente.
O governo também estuda atualizar os limites de enquadramento do Simples Nacional.
*Contratos terceirizados terão adaptação gradual*
A PEC estabelece regras específicas para contratos terceirizados ligados à administração pública.
Nesses casos, a redução da jornada dependerá de ajustes contratuais entre empresas prestadoras de serviço e órgãos públicos, preservando o equilíbrio financeiro dos contratos.
Mesmo assim, caso os aditivos não sejam formalizados dentro do prazo previsto, a redução da jornada deverá ser aplicada obrigatoriamente.
*Senado ainda precisa analisar proposta*
Apesar da aprovação na Câmara dos Deputados, a proposta ainda precisa passar pelo Senado Federal.
Caso seja aprovada sem alterações, a PEC será promulgada pelo Congresso Nacional e começará a valer conforme o cronograma de transição previsto no texto.
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