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Especial 15 anos do Jornal Correio Otaciliense

15 ANOS DE CO!

“Corria o ano de 2018 quando Sérgio Pinheiro me convidou para escrever para o Correio Otaciliense. Era pra fazer textos curtos sobre o cotidiano da cidade, mas não era o que eu tinha em mente. Então enviei o primeiro texto para a coluna que dei o nome de Etc. & Tal. E lá se vão 8 anos em que converso com o público do Jornal.

Preferi abordar temas variados. O primeiro texto saiu em 3 de maio daquele ano, com o título “Redes Sociais: Informação ou Manipulação?” Pelo andar da carruagem o assunto ainda está rendendo, pois parece que mais pessoas se deixaram nortear pelas fake news ou falsas notícias, desde então. No texto, deixei a pergunta: quem se habilita à leitura de verdades?

Minhas publicações são baseadas em leitura de revistas, jornais, livros, reportagens, pesquisas diversas que são investigadas em sua veracidade. Com carinho escrevo para os leitores do CO, hoje dirigido por Maria Caroline Pinheiro Deboite, e sou grata pela oportunidade desta escrita. Parabéns a todos que contribuíram para que o Jornal chegasse aos 15 anos sendo uma referência de informação de Otacílio Costa.” 

Claudia Stanchak

Primeiro texto publicado em 2018

REDES SOCIAIS: INFORMAÇÃO OU MANIPULAÇÃO? 

Quem participa das redes sociais tem a sensação de estar mais e melhor informado do que acontece em todo lugar. A partir daí, o sujeito fica mais seguro para opinar e participar de grupos conforme o que captou. 

Como saber se são confiáveis as informações e opiniões que pululam nas mídias sociais?

O jornalista americano Farhad Manjoo; do “New York Times”; ficou sem uso das redes sociais por dois meses. No fim da experiência, disse: “Desativar o alarido de notícias urgentes na máquina que carrego no bolso foi como me desagrilhoar de um monstro que me telefonava sem parar, sempre disposto a interromper meu dia com boletins urgentes de notícias mal apuradas.”

Sua conclusão trouxe luz para o óbvio: o conteúdo de jornais, livros e revistas impressos estão a serviço de quem quer estar mais próximo da informação de boa qualidade. A formação de opinião individual ou coletiva não pode nem deve ser presa de “fake news” – as falsas notícias. Nem pode um indivíduo sentir-se bem informado se busca na facilidade dos “clics” e das “curtidas” as faces da realidade.

Um exemplo real são os vídeos e textos pró e contra a ditadura militar brasileira que pipocam recheados de meias verdades e muitas omissões nas redes sociais. Em contrapartida, existe uma obra brasileira (série de 5 livros) que disseca a ditadura sem maniqueísmos esquerdistas ou direitistas, do historiador Elio Gaspari. Quem se habilita à leitura de verdade?

A escrita de jornalistas, historiadores e pesquisadores sérios ainda é o caminho mais seguro para a construção do conhecimento. Parece difícil? A busca pela melhor informação nunca é um caminho fácil!

Há interesse pela verdade nas redes sociais? Pela forma que se agrupam pensamentos em campos de interesse, isolando ou sabotando quem discorda deles, parece que não.

Tido como o “escândalo do século”, a manipulação de dados de 87 milhões de usuários do Facebook levou seu criador – Mark Zuckerberg – a se explicar no congresso americano; já que as últimas eleições presidenciais dos EUA foram alteradas por falsas notícias sobre seus principais candidatos, direcionando o voto de muitos eleitores confiantes nas redes sociais.

Quando alguém autoriza coleta de dados pessoais para fazer um teste (de comportamento, de personalidade, entre outros); automaticamente autoriza que robôs instalados nas redes sociais com nomes fictícios lhe digam como enxergar positivamente ou negativamente esta ou aquela pessoa, ou tema, ou situação, manipulando seu julgamento da realidade.

Quem quer se sentir manipulado? Deixar-se impressionar por críticas favoráveis ou adversas que levam a o erro de julgamento é uma séria ameaça à democracia diante do uso de candidatos ou partidos políticos possam fazer delas em tempos de eleição.

Buscar autonomia de pensamento e de julgamento da realidade exige que cada pessoa busque informação melhor apurada. É preciso duvidar, duvidar, investigar, pois já é fato que as notícias falsas são as mais “curtidas” e compartilhadas.

É urgente que o diálogo, as discussões saudáveis sejam possíveis, mesmo havendo divergências. O que não se pode encarar como opção é que as opiniões se formem frágeis e isoladas da realidade. Ler, pesquisar, debater, interagir ainda são os caminhos a percorrer. E com certeza isso não é prioridade nas redes sociais! 

Fonte consultada: Diário Catarinense de 24 e 25 de março de 2018


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