O ano era 2011. No Brasil, Dilma Rousseff tomou posse como 36º presidente do Brasil – primeira mulher no cargo e primeira mulher a fazer o discurso de abertura da ONU: enquanto o Pallocci renunciava ao seu cargo de ministro. Por 6x5 o STF anulou a lei da ficha limpa para as eleições de 2010 e por unanimidade decidiu que os casais homossexuais podiam firmar contratos de união estável. Para muitos, o início do protagonismo do STF perante o Congresso e de uma popularização que encontraria nas redes sociais seu megafone.
Por aqui, nosso prefeito era o Denilson, o Leonir e o Luizinho eram vereadores e, começava a circular o CORREIO OTACILIENSE: com o qual podemos hoje semanalmente conversar.
Não faço ideia de quais motivações pessoais levaram nosso editor a tomar a decisão de lançar um jornal impresso em meio a revolução da internet, mas gostaria de deixar aqui registrado o quanto a julgo coerente e, por que não, corajosa. Me explico.
Com a enorme variedade de meios de informação, e, principalmente com as redes sociais; desde meados de 2010 os jornais impressos vêm perdendo seu lugar. O jornal do Commercio, o mais antigo em circulação na América do Sul, fechou suas portas em 2016 depois de quase 200 anos. Apenas um de cada dez brasileiros ainda lê jornal impresso, segundo a Universidade Oxford. E, claro, o TikTok desponta como a rede para consumo de notícias.
Quem, em sã consciência, iniciaria um jornal impresso nesse cenário?
Oras, qualquer um que tenha assistido à cena do filme Matrix (2009) em que o agente Smith está quase matando o Neo e fica perguntando a ele:
- Por quê? Por que faz isso? Por que continuar lutando? Acredita que esteja lutando por alguma coisa além da sua sobrevivência? Ao menos sabe dizer o que é? É liberdade ou verdade? Talvez paz? Existe um significado ou propósito? Você deve ser capaz de perceber que não pode vencer! É inútil continuar. Por que você persiste?
E, em resposta a toda essa patacoada, Neo responde: Porque eu escolhi.
E aí é que está, querido leitor! Não teria o jornal impresso uma função comunitária cada vez mais forte? Não existiu ao longo desses quinze anos uma única pessoa que tenha precisado das informações aqui disponíveis? Uma pessoa que, após a calma que somente a leitura de algo tangível como um livro ou um jornal pode proporcionar, tenha refletido melhor sobre um assunto? Talvez até alterado algum aspecto da sua vida?
- Não! É claro que não! Nossa sociedade utilitarista não responde a esse romantismo.
Ok, incrédulo leitor, então nós lhe daremos alguns dados mais concretos.
Apesar da pouca preferência pelo jornal impresso, a confiança do brasileiro (42%) nesta imprensa está acima da média mundial (40%). Convenhamos que, nesta era da IA, confiar nos videozinhos de um minuto é algo difícil.
Outra questão é que no Brasil o leitor diário de jornal tem curso superior e renda superior a cinco salários mínimos. Assim como todo aquele que faz faculdade começa a ganhar mais, quem lê faz faculdade. Um círculo vicioso do bem que os anunciantes e patrocinadores do jornal já descobriram.
E, reforçando o tópico, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM), o jornal impresso continua sendo o meio mais confiável de comunicação. Disso já falamos aqui várias vezes. É muito mais difícil pesquisar para escrever um texto que ficará impresso – e disponível – do que gravar um vídeo que pode, dependendo da repercussão, ser apagado. Ou seja, as páginas deste jornal conectam as pessoas que pensam, investem e lideram em Otacílio Costa.
Se a internet é constantemente palco de brigas e ataques odiosos de todos os lados, o jornal impresso é local de reflexão. Não um local de respostas prontas e inúteis, mas um local de questionamento. Um local de independência de pensamento. Um local para saber dos desdobramentos dos quais o primeiro parágrafo mencionava.
Neste ano eleitoral por muitas vezes não saberemos em quem acreditar, não saberemos as respostas. Então, conte com o Correio Otaciliense para duvidar inclusive de você mesmo e te ajudar a fazer muitas outras perguntas.
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