Transfrozza encerra atividades do transporte público em Otacílio Costa
Uma história que começou em 1981 se encerra após mais de quatro décadas de serviço prestado
A empresa Transfrozza, que por mais de 40 anos fez parte da rotina dos moradores de Otacílio Costa, encerrou oficialmente suas atividades no transporte público urbano nesta segunda-feira, dia 2.
A história teve início em 1981, quando seu Armindo Frozza e sua esposa, dona Clara Frozza, colocaram em funcionamento a primeira linha de transporte coletivo do município.
Com apenas dois veículos, os ônibus circulavam diariamente das 6h30 à 0h30, com horários de hora em hora, atendendo todos os bairros da cidade.
Em entrevista ao Jornal Correio Otaciliense, dona Clara recordou que, nos primeiros anos, a linha chegou a transportar cerca de 800 passageiros por dia.
Negócio familiar que marcou gerações
Com o passar do tempo, os filhos do casal, Henrique e William Frozza, passaram a integrar o negócio, ajudando a fortalecer a empresa, que se tornou parte da história e da vida de milhares de otacilienses.
“O transporte Frozza acompanhou gerações. Muitas pessoas usaram o ônibus para trabalhar, estudar, ir ao médico ou simplesmente se deslocar dentro da cidade”, destacam os irmãos.
Queda na demanda e impactos da pandemia
Segundo Henrique e William, a redução no número de passageiros começou a ser sentida a partir de 2019, principalmente em função do aumento expressivo da frota de veículos particulares no município. No ano seguinte, a situação se agravou com a chegada da pandemia da Covid-19.
“De 2020 para cá, a demanda caiu drasticamente. Mesmo assim, mantivemos a linha funcionando todos os dias, atendendo todos os bairros, por respeito ao compromisso que nosso pai sempre teve com a população”, afirmam.
Os irmãos ressaltam que, mesmo diante das dificuldades financeiras, a empresa optou por continuar operando. “Em 2025, por exemplo, trabalhamos o ano inteiro no vermelho, mas mantivemos o serviço pela honra e pelo amor que nosso pai tinha pelo transporte público”, relatam.
Tentativas de manter o serviço e falta de subsídio
No último ano, para tentar equilibrar as contas, a empresa reduziu os horários da circular, concentrando as viagens nos períodos de maior demanda: 7h30, 11h30 e 16h30. Ainda assim, a maioria dos usuários era composta por idosos e pessoas com deficiência, que, por lei, têm direito ao transporte gratuito.
Em outros municípios, esse tipo de serviço é mantido por meio de subsídios pagos pelas prefeituras às empresas concessionárias. Em Otacílio Costa, conforme relatam os irmãos, isso nunca ocorreu de forma efetiva.
“Tivemos concessão em uma época, mas nunca recebemos subsídio de nenhuma administração. Quando a concessão acabou, foi comentado que abriria uma licitação. Organizamos toda a documentação, protocolamos tudo o que a prefeitura solicitou, mas não houve licitação nem nova concessão”, explicam.
Conta que não fechou
Sem arrecadação suficiente e arcando com todos os custos operacionais, a situação tornou-se insustentável. “Despesa com motorista, diesel, manutenção, seguro, impostos e outras obrigações… chega um ponto em que a conta simplesmente não fecha”, afirmam.
Diante deste cenário, a decisão de encerrar o transporte público foi tomada em conjunto pela família. “Foi uma decisão difícil, mas necessária”, concluem.
Atuação segue no setor privado
Apesar do encerramento da linha circular, a Transfrozza segue atuando no transporte privado. Atualmente, a empresa presta serviços para cinco empresas da região, realizando o transporte de colaboradores, e permanece aberta a novos contratos.
Os irmãos também deixaram um agradecimento especial à comunidade. “Recebemos muitas mensagens de carinho e reconhecimento. Somos muito gratos a todos que confiaram no nosso trabalho ao longo desses anos e seguimos à disposição para esclarecimentos e acertos”, finalizam.
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